Ricardo Bergamini
14 de Março
Sobre “Amazônia à venda”
Artigo de Carlos Chagas – comentado.
Um mimo de Samauma On-line
www.samauma.biz
Prezado Ir:. Tibério
li o artigo 'Amazônia 'a venda', e não entendi as últimas colocações do Prof. Bergamini sobre o cinismo em nos preocuparmos, agora, com tal assunto. Embora concorde com sua opinião, sobre a atitude dos governantes em 508 anos de história, não concordo com a generalização pois, sempre existiu a preocupação de setores da sociedade, notadamente dos militares, com nossa integridade territorial, principalmente na Amazônia (Calha Norte; atendimento às populações ribeirinhas pela Marinha e FAB; criação de Comandos Militares por Oficiais Generais na região - e todas as unidades subordinadas necessárias; etc.). Algo há que ser feito, e urgente, para que o mapa escolar do Brasil, a ser estudado por nossos filhos e netos, não seja modificado. Eu, particularmente, penso que, talvez nossa geração e, com certeza, a de nossos filhos e netos, ainda vai lutar e morrer na Amazônia pela integridade do país, se não fizermos nada agora!
Em anexo (perdoe-me a pretensão), um ensaio que fiz em 2003, como aluno do Curso Superior da Escola de Guerra Naval (sou Oficial da Reserva Remunerada do Corpo de Engenheiros da Marinha), nos primeiros meses de governo do nosso Presidente (mentiroso) Lula. É um trabalho sobre o tema da 'Globalização' no qual abordei, em um dos tópicos, a 'Globalização da Amazônia' e que, penso, poderá agregar algo de valor a este tema.
TFA Maurílio Callipo C:.M:.
Estimado Prof. Ricardo Bergamini
Apraz-me repassar os comentários do Irm Maurílio Callipo para suas considerações.
O Irm Marcos Coimbra que nos lê c/c talvez poderia avaliar também essas observações desse nosso Irm.
SDS fraternais tibério sá maia
Amigo Tibério
Pelo que li o senhor Maurilio concorda com o meu texto, desde que eu citasse os militares como exceção a regra, posição da qual não concordo, inclusive porque seria contraditório ao meu texto abaixo divulgado hoje, principalmente quanto ao parágrafo grifado em vermelho.
Quanto maior a fé democrática de uma nação, maior o seu poderio bélico (Ricardo Bergamini).
Com muito orgulho fui aluno da turma de 1967 da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena, sob o comando do saudoso Brigadeiro do Ar João Camarão Telles Ribeiro, um visionário que promoveu uma verdadeira revolução no ensino daquela escola, com implantação de aulas de Inglês e Francês, testes vocacionais periódicos, aulas nos períodos da manhã e tarde, dentre muitas outras inovações.
Segundo o seu argumento os alunos da EPCAR deveriam ser preparados para o Brasil, e não somente para aqueles que iriam continuar na carreira militar, haja vista que no terceiro ano todos os alunos que fizeram vestibulares formam aprovados, sem nenhum curso preparatório.
Após o preâmbulo acima vamos fazer uma análise técnica, isenta, madura e adulta da Instituição militar no Brasil.
Quantitativo de Servidores- Fonte MF – Base: Dezembro de 2007
Minist |
Ativos |
% |
Inativos |
% |
Pension |
% |
Total |
% |
Defes |
455.122 |
52,60 |
166.003 |
19,19 |
244.090 |
28,21 |
865.215 |
100,00 |
Educ |
186.144 |
63,91 |
79.369 |
27,25 |
25.738 |
8,84 |
291.251 |
100,00 |
Nota: No quantitativo da Defesa estão
considerados 112.564 servidores civis.
Reflexão sobre o quadro demonstrativo acima
Para efeito de estudo estou comparando apenas o efetivo do Ministério da Defesa com o segundo maior efetivo da União que é o da Educação, porém o resultado é o mesmo para os demais ministérios.
A grande distorção está nas pensionistas do Ministério da Defesa (28,21% do efetivo total do ministério), enquanto que as pensionistas dos demais ministérios representam 8,84% do total de cada ministério.
A distorção acima foi gerada pela excrescência econômica das pensões das filhas de militares, benefício criando quando as mulheres eram consideradas incapazes, atualmente as mulheres, segundo o IBGE, representam 53,4% da População em Idade Ativa. Se essa excrescência ainda existe deveria ser eliminada imediatamente.
Para efeito de reflexão, considerando o indicador médio dos demais ministérios de 8,84% de pensionistas podemos afirmar existirem, com base nos números de dezembro de 2007, o quantitativo de 171.412 pensionistas filhas de militares.
Devo alertar aos que argumentam que pagaram por isso, não existir cálculo atuarial que pagasse um benefício dessa magnitude, além ser imoral por utilizar o critério do espermatozóide.
Devo acrescentar que não justifica nossas FFAA concentradas no litoral (origem das invasões francesa e holandesa), mas sim ocuparem nossas fronteiras secas, onde mora o perigo, segundo constantes alertas do senador José Sarney. Não devemos continuar vendo o Exército deslocar tropas da Vila Militar no Rio de Janeiro para resolverem conflitos no Pará, como já vimos esse filme por diversas vezes.
Para os que se indignarem com minhas honestas e sinceras colocações, lamento informar ser fruto do sonho do brigadeiro acima citada.
Prezado Ir:. Tibério,
antes de tudo, gostaria de agradecer-lhe o encaminhamento de minha opinião ao Prof. Bergamini, e o fato de dá-la a conhecer ao Prof. Marcos Coimbra, com quem, aliás, troquei breves correspondências eletrônicas sobre o tema em pauta (Amazônia).
Folgo em saber que faço parte de mais uma família com o Prof. Bergamini: a de ex-alunos da saudosa EPCAR. Sou da Turma de 75 e, ainda naquele ano, ouvi referências elogiosas ao Brigadeiro Camarão feitas pelos jovens Tenentes que comandavam nossas Esquadrilhas, possivelmente contemporâneos de escola do Ex-Aluno Bergamini. Como bem colocou o Prof. Bergamini (embora eu não tenha entendido a razão de seu lamento), certamente, o Brigadeiro Camarão atingiu seu objetivo pois, além de formar futuros Oficiais da FAB, nossa querida escola preparou, e prepara até hoje, jovens brasileiros, tanto moral quanto intelectualmente, qualificado-os para fazer frente às vicissitudes da vida. "Nom Multa, Sed Multum".
Isto posto, gostaria de levar ao conhecimento do Prof. Bergamini que foi extinta a pensão para as filhas dos militares que ingressaram nas FFAA a partir de 2000, se não me falha a memória, vigindo hoje uma regra de transição para os que contribuíram durante mais de 20 anos. Os que possuíam menos de 20 anos de contribuição tiveram este benefício simplesmente cancelado. Note-se que a regra de transição criou um desconto específico para este fim, além do desconto que já exisitia. Acrescente-se a isto que a previdência dos militares sempre foi superavitária, pois não existem o roubo e a corrupção que existem na Previdência Social. Descontamos desde o primeiro momento em que entramos para a Fôrça, até a morte da última beneficiária. Por isso é lícito, sim, falar-se que tal benefício é pago. Quanto ao fim do critério do espermatozóide, vejo o fato como uma evolução da sociedade, assim como o foram a abolição da escravatura e o reconhecimento do direito ao voto das mulheres e, mais modernamente, dos adolescentes maiores de 16.
Prosseguindo, esta pequena querela não invalida minha tese sobre a preocupação das FFAA com a situação da Amazônia. Ela existe há bastante tempo e, quando foi aberta a Transamazônica, há quase 50 anos, a intenção era a integração daquele espaço ao resto do país. Depois veio o Calha Norte (também com o objetivo de integração e facilidade de defesa da fronteira seca) e hoje, praticamente não cessam os alertas dos militares, inclusive com o concurso da ABIN: quanto ao descalabro de atuação das milhares de "ONGs" que lá pululam; para os "ensinamentos" transmitidos por missionários estrangeiros; sobre o contrabando de madeira; sobre as "nações indígenas" estabelecidas em áreas de fronteiras internacionais ( fazendo um paralelo, o reconhecimento de Montenegro é exemplar); e sobre a corrupção (desde funcionários do IBAMA até políticos e juízes da região). E nada é feito! Imobilidade total e criminosa, pois é fruto da omissão.
Quanto ao fato das tropas deslocarem-se da Vila Militar para o teatro de operações amazônico, ou qualquer ponto do território nacional em que seja necessária sua atuação, é a solução paliativa encontrada pelas FFAA face ao criminoso corte nas verbas da defesa, que vem ocorrendo desde 1994, e que obriga os quartéis a liberar seu pessoal após meio expediente por economia de rancho. O que dirá possuir equipamentos atualizados, ou transferir unidades do Rio de Janeiro para a Amazônia? Aliás, esta decisão estratégica já existe, dependendo de verbas para sua realização.
Por isso, meus IIr. não acho cinismo a preocupação com a região. De alguns setores da sociedade, como os militares, sempre foi perene, e a tempo. Em alguns setores ela é extemporânea, mas "prá lá" de válida. Os dirigentes do país, e a classe política em geral, sim, deverão recuperar o tempo perdido e agir agora, antes que seja tarde.
Boa noite e TFA
Maurílio
Ps: não soube encontrar o artigo escrito hoje pelo Ir:. Bergamini, e por isso não conheço o contexto em que foi colocada a frase em destaque entre o primeiro e segundo parágrafos de sua mensagem, mas não creio que a fé democrática seja diretamente proporcional ao poderio bélico. Dentre as nações de formidável poderio bélico, destaco algumas totalitárias e outras "democracias opressoras" (se é que se pode chamar assim), como a Alemanha nazista, a URSS, a Itália fascista, a China de Mao, Israel e, por que não, os Estados Unidos. Acredito que o poderio bélico é função dos interesses econômicos e objetivos políticos de conquista de uma nação, seja ela democrática ou não.
Amigo Maurílio
1 - Fico feliz em encontrar um ser racional com condições de debater, de uma forma adulta e madura, os graves problemas nacionais.
2- Fico feliz em saber que a excrescência das aposentadorias das filhas de militares tenha terminado, porém os efeitos somente serão sentidos nos próximos 30 anos, assim sendo o Brasil ainda terá que carregar nas costas, por longo tempo, em torno de 171.000 aposentadorias imorais.
3 - Conforme abaixo demonstrado é criminosa a concentração de servidores públicos da União, no Distrito Federal e no Rio de Janeiro (quase 80%).
4- Desde o início de minha vida profissional que escuto esse discurso de que os militares não vão para o interior do Brasil (terreno baldio, 59% do território brasileiro) por falta de recursos, porém na verdade jamais vi muita vontade de grande parte dos militares de saírem do magnífico litoral brasileiro.
5- Por falar em falta de recursos, cabe lembrar que, com base em dezembro de 2007, o Tesouro Nacional tinha haveres de R$ 482,2 bilhões junto aos Estados e Municípios, sendo que os 5 estados ditos mais ricos da federação deviam 73,90% da referida dívida, como segue: SP (41,34%) - MG (11,41%) - RJ (10,37%) - RS (7,64%) - PR (3,14%).
6 - Enquanto a União pagou 13,50% ao ano em 2007 para rolar a sua dívida, esses estados acima, ditos mais ricos, pagaram apenas 6,50% ao ano para a União, sendo talvez o maior programa de transferência de renda de pobres para ricos da história da humanidade.
7- Por deformação histórica o brasileiro somente tem interesse no litoral, onde vivem 88% da população. Na região amazônica as prefeituras somente conseguem contratar médicos da Bolívia e de Cuba.
8 - Se um dia tiver uma mobilização no Brasil em defesa da Amazônica ela será longe da região; como abraçar a Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro, ou criação do feriado nacional em defesa da Amazônia, com desfiles de Escolas de Samba no Rio de Janeiro.
9 - Em 2005, o Distrito Federal detinha a maior RENDA PER CAPITA do Brasil no valor de R$ 34.510,00. O segundo lugar cabia ao estado de São Paulo com R$ 17.977,00 (47,91% menor) do que o Distrito Federal. O último lugar cabia ao estado de Piauí com R$ 3.700,00 (89,28% menor) do que o Distrito Federal. (IBGE).
10 - A Amazônia é a região compreendida pela bacia do rio Amazonas, a mais extensa do planeta, formada por 25.000 km de rios navegáveis, em cerca de 6.900.000 km2, dos quais aproximadamente 3.800.000 km2 estão no Brasil. Já a Amazônia Legal, estabelecida no artigo 2 da lei nº 5.173, de outubro de 1966, abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Maranhão e cinco municípios de Goiás. Ela representa 59% do território brasileiro, distribuído por 775 municípios, onde viviam em 2000, segundo o Censo Demográfico, 20,3 milhões de pessoas (12,32% da população nacional), sendo que 68,9% desse contingente em zona urbana (IBGE).
Reflexão Sobre os Gastos com Pessoal da União, por Unidade da Federação – Fonte MF.
Base: Ano de 2007
Unidade da Federação |
R$ Bilhões |
% |
Distrito Federal |
76,1 |
59,97 |
Rio de Janeiro |
22,1 |
17,41 |
Demais 25 Estados |
28,7 |
22,62 |
Total |
126,9 |
100,00 |
77,38% dos gastos com pessoal da União se concentram no Distrito Federal (59,97%), e no Rio de Janeiro (17,41%).
Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.
Ricardo,
Aceite meus cumprimentos pela sua inteligência e persistência em tentar despertar as nossas elites políticas e econômicas ( sua palestra na FIESP sei ter sido um sucesso ) para o desastre previsto.
Aceitando seu convite para o debate faço um breve comentário.
O governo atual e o que o antecedeu cometem um crime de lesa pátria ao relegar a um plano secundário a importância das nossas Forças Armadas.
Desenvolvimento é algo orgânico e simétrico. A décima ou décima segunda economia do planeta não pode deixar de possuir instrumentos capazes de garantir sua soberania e seus valores.
Tenho orgulho de descender de uma família de militares que sempre foram e serão os guardiões do patriotismo e da HONRA...O Brasil não pode abdicar de ter luz própria e caminhar sem medo para o encontro de seu destino. Os militares brasileiros construíram instituições que produziram rasgos e clarões que iluminaram nossa evolução como nação.
Vc, melhor que ninguém sabe que os números não mentem mas enganam os menos capazes., no caso brasileiro os que recebem o "cala-boca" mensal denominado bolsa-família.
São estes falsos profetas, adoradores da mentira,ébrios "sonhadores " e eruditos ideólogos que ao desconhecer a História nos condenam a viver eternamente atolados no limpo da ignorância. Querem que sejamos tutelados e que eliminemos qualquer vontade de pensar.
Confundem protecionismo com paternalismo. ( algo que abunda no DNA dos cumpanheiros.
Dão peixe e não ensinam a pescar sendo que o pior é a pesca predatória que fazem com o esforço e o dinheiro da nação. Em breve tempo não existira um só cardume de piabas para ser oferecido como troca por votos. Esqueceram de ter uma rota de fuga ao final , não se indagaram sobre como sair da enrascada desmotivacional que incutiram num povo ávido em acreditar em algo. Gente que ainda confunde o Estado com Deus sem saber que o governo existe para servi-lo.
Maslow dizia que o oposto de insatisfeito não é satisfeito mas o-insatisfeito.
Nenhum ato motivacional terá resultado sem antes atender os aspectos que ele denominava de "higiênicos"
Sou filho de cearense, uma nordestina de valor. Os brasileiros desta bela região do Brasil querem oportunidade, querem ter dignidade, jamais esmola.
Como atrair nossa juventude para sonhar um país grande. Como amar o que desconhecem.
As FFAA's brasileiras eram a grande escola de brasilidade, recolhia os jovens e os ensinava BRASIL, valores, hoje nem verba para o "rancho" dos soldados possui.
Suas lideranças como o General RONDON uma inspiração. O exemplo é fundamental e figura militares enriquecem nossa realidade com atitudes de desprendimento e amor à etária.
Bem, já falei demais...
Finalizo dizendo que os militares brasileiros não precisam de motivação para continuarem a cumprir seu papel constitucional. mas é uma imposição faze-lo.
Faria Lima
PS e tem que aumentar seus proventos...sim senhor. (basta acabar com esta bolsa-tortura..que é um absurdo.)
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