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Irm Marcos Coimbra
Artigo escrito em 11 de Março de 2008
para o M.M
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Estimado amigo;
Abaixo, encaminho-lhe cópia de entrevista que foi publicada no Monitor Mercantil de 21, 22 e 23.03.09.
Abraços amigos,
Marcos Coimbra
CONJUNTURA
20/03/2009 - 21:03
Os efeitos nefastos da globalização
No livro Brasil Soberano, que está lançando com apoio da Associação de Engenheiros da Petrobrás (Aepet), do Clube Militar e do Centro Brasileiros de Estudos Estratégicos (Cebres), o economista Marcos Coimbra reúne artigos garimpados entre mais de mil colaborações para jornais, inclusive o MM, nos quais expressa sua profunda preocupação com a ameaça de balcanização (fragmentação do território em unidades políticas distintas) do Brasil e a fragilidade do país para se defender de uma globalização destruidora da soberania e das perspectivas do desenvolvimento nacional. "O Brasil entrou no processo de globalização sem nenhum planejamento, embora talvez seja o que mais precise: entre os "perturbadores do status quo", que são os Brics (grupo formado por Rússia, Índia e China, além do Brasil), o Brasil é o único que não detém poder nuclear e, ao mesmo tempo, é riquíssimo em território e recursos naturais, a começar da água", denuncia o economista, em entrevista exclusiva ao MM. Página 3
CONJUNTURA – Página 3
20/03/2009 - 21:03
Reservas indígenas podem dividir território do Brasil
A preocupação com a fragilidade do país para enfrentar os desafios do desenvolvimento e da autodefesa no mundo dito globalizado levou o economista e professor Marcos Coimbra, integrante do Centro Brasileiros de Estudos Estratégicos (Cebres), a reunir no livro Brasil Soberano, seus melhores artigos da última década, muitos deles publicados no MM, para reiterar denúncias e relembrar previsões acertadas, entre elas, respectivamente, o risco de fragmentação do território nacional e as consequências nefastas das políticas neoliberais.
"Minha maior preocupação é com a balcanização do Brasil", declara Coimbra, usando expressão que vem das guerras na região dos Bálcãs, em 1912 e 1913, e que resultaram na divisão de nações em unidades políticas distintas. No entanto, o exemplo citado para mostrar a fragilidade do Brasil, um pouco mais recente, é o da antiga Iugoslávia. "No final da Segunda Guerra, a Iugoslávia era um país desenvolvido, mas foi balcanizada pelos donos do mundo e tornou-se uma miríade de pequenas nações inexpressivas".
Para Coimbra, "os donos do mundo" estão no sistema financeiro privado e, segundo o economista, têm o poder de emitir a moeda padrão, o dólar, já que controlariam o Federal Reserve (FED, o banco central americano). "São os mesmos que causaram a crise ao impor uma globalização ligada apenas à perda de soberania e do direito ao desenvolvimento". Coimbra enfatiza que a Amazônia sempre foi cobiçada pelos "donos do mundo" e afirma, nesta entrevista exclusiva, que não é mera coincidência a visita do príncipe Charles às vésperas da decisão final, pelo Superior Tribunal Federal (STF), sobre o caso da reserva indígena de Raposa Serra do Sol.
"A serra é o que falta para que o Reino Unido controle todo o maciço guianense", denuncia o economista. O livro será lançado, no Rio, na próxima quinta-feira, dia 26 de março, na livraria Argumento de Copacabana (Rua Barata Ribeiro, 502). No dia 28, será a vez de São Paulo, capital, no Nacional Club - Rua Angatuba, 703 - Pacaembu.
Há um fato precedente que justifique a preocupação com a integridade do território nacional?
Sim. O próprio Reino Unido infiltrou-se na região da Serra do Pirara, a pretexto de defender a tribo dos Macuxis. Alegando que os índios eram independentes e pedindo proteção à Inglaterra, levaram o caso para o Rei Vítor Emanuel, da Itália, que atuou como árbitro e, apesar de nossos argumentos jurídicos incontestáveis, designou dois terços do território em disputa para a Inglaterra. Como era o começo da República, o Brasil estava enfraquecido e acabamos aceitando a demarcação da fronteira com a Guiana Inglesa a partir dos rios Tacutu e Maú. Com isso, a Inglaterra conseguiu acesso a um afluente do Amazonas, o Tacutu. Hoje o petróleo está sendo explorado ali, do lado da Guiana.
A crise aumentou o grau de ameaça ao território e à economia nacionais?
Sim. A crise talvez seja maior até que a de 1929. São trilhões de dólares que desapareceram. Quem vai pagar a conta, o país gerador da crise? Não. Os países menos desenvolvidos, que têm recursos naturais. No caso do Brasil, temos biodiversidade, água, pré-sal, etc. Então a ameaça é iminente.
Quais os principais indícios dessa ameaça?
Não por mera coincidência, o Brasil assinou tratado de não proliferação de armas nucleares e aderiu, em setembro de 2007, na Organização das Nações Unidas (ONU), à Declaração Universal dos Direitos dos Indígenas. É um grave precedente porque os índios poderão pleitear junto à ONU o desmembramento do território. Os donos do mundo certamente irão aproveitar a fragilidade do país neste momento para estimular a criação de mais reservas indígenas.
Outra ameaça é a campanha mundial para que a Amazônia não seja dos países que nela têm parte de seus territórios, mas de toda a humanidade.
Por que o Príncipe Charles estaria oferecendo milhões de libras para aplicar em nosso território a pretexto de preservar o meio ambiente no momento em que a Inglaterra enfrenta graves dificuldades?
Poderia destacar uma entre as várias previsões que se confirmaram e foram publicadas em seus artigos?
Em 1999, no texto intitulado "A hora da verdade", publicado no MM ainda em 1999, destacamos o alerta feito pelo economista Will Hutton, chefe da assessoria do então primeiro-ministro inglês, Tony Blair. O economista denunciava que se a bolsa de Nova York caísse 30% provocaria um colapso mundial, com sérias repercussões para a economia brasileira.
No livro, o senhor critica a falta de planejamento no Brasil. Onde estão as maiores falhas?
O Brasil entrou no processo de globalização sem nenhum planejamento, embora talvez seja o que mais precise: entre os países perturbadores do status quo, que são os Brics (grupo formado por Rússia, Índia e China, além do Brasil), o Brasil é o único que não detém poder nuclear e, ao mesmo tempo, é riquíssimo em território e recursos naturais, a começar da água.
A grande questão é que o país está sem agenda, ao sabor dos acontecimentos, tomando sempre medidas reativas. Não há prevenção. Um estadista deve olhar para o amanhã, para as futuras gerações. É necessário criar urgentemente um plano nacional de desenvolvimento estruturado, com objetivos de longo prazo e metas factíveis de médio prazo - metas de governo. Por exemplo: crescer 7% ao ano seria uma etapa intermediária do planejamento, mas exigiria investimentos da ordem de 25% do PIB. Existem pesquisas demonstrando que, dependendo da propensão marginal a consumir, a cada acréscimo de US$ 50 bilhões no investimento é possível fazer o montante do PIB crescer entre US$ 200 bilhões e US$ 250 bilhões.
O que fazer para chegar lá?
Em primeiro lugar, a carga tributária deve ser justa. Há estudos mostrando que cada real arrecadado equivale a um real sonegado. Quem mais paga impostos é o assalariado, pois não tem como escapar. É preciso também azeitar a máquina burocrática, pois hoje há muitos ministérios. Em terceiro lugar, é imprescindível baixar a despesa com juros para aplicar em infra-estrutura econômico-social. Setores como energia, transporte, ciência e tecnologia, saúde, educação e segurança pública. Tudo isso influi no investimento privado, mas infelizmente há empresários saindo do país por causa da guerra civil não declarada que vivemos aqui.
Poderia definir a principal motivação que o levou a escrever Brasil Soberano?
Algumas palavras do Coronel Amerino Raposo Filho, registradas na contracapa, são muito ilustrativas: "Essa terra tem dono! ... Fora os vendilhões "neo-modernistas" e o neocolonialismo imperialista. Vamos defendê-la a qualquer custo ... e com o empenho de todas as forças vivas da nacionalidade!"
Rogério Lessa |