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Irm Marcos Coimbra*
A atual
situação internacional caracteriza-se pela
formação dos megablocos econômicos,
do surgimento de uma potência hegemônica, os
EUA, pela multipolaridade econômica trilateral (EUA,
Japão e Alemanha), pela imposição das
idéias do neoliberalismo e da globalização,
que nada mais é do que uma forma de neocolonialismo,
pela tentativa de domínio pelo G-7 do Resto do Mundo
e pela criação do Diálogo Interamericano
(1982) e pelo Consenso de Washington (1988), de onde surgiram
as diretrizes impostas aos países detentores de matérias
primas nas Américas.
Em
suas diretrizes, eles pregam que as medidas econômicas
do Governo sejam estabelecidas de acordo com o FMI: superávit
primário de 4,25% do PIB, superávit comercial
superior a US$ 15 bilhões, déficit do balanço
de pagamentos em transações correntes coberto
pelos investimentos diretos, taxa de inflação
inferior a 12% ao ano, proibição de controle
cambial e de moratória, abdicação da
capacidade de elaboração de uma política
de comércio exterior autônoma e política
monetária rígida. Os componentes de sua política(?)
econômica: variável-meta ( garantia da estabilidade
monetária) e variáveis-instrumentais ( arrocho
tributário, caracterizado por uma carga tributária
real de 36%, arrocho salarial, com uma queda de mais de
70% no poder aquisitivo, taxa de juros elevada, de 25,5%
ao ano, uma das maiores do mundo, privatização
selvagem e outras).
Numa
rápida análise da situação interna,
temos uma dívida interna em torno de 60% do PIB;
dívida externa de cerca de US$ 200 bilhões;
déficit público nominal acima de 4% do PIB;
desemprego crescente (DIEESE: 20% da população
economicamente ativa-PEA e IBGE: 13% da PEA); deterioração
nos sistemas públicos de saúde, segurança
e educação (falta de recursos) em contrapartida
ao pagamento de juros de R$ 110 bilhões em 2002;
estagnação da atividade produtiva (previsão
de crescimento em torno de 2% na taxa de crescimento do
PIB em 2003); desnacionalização da economia
e destruição do parque produtivo.
Infelizmente,
identificamos nas demais expressões do poder nacional:
destruição do Estado Nacional Soberano; desemprego
de mais de 1,8 milhões de pessoas em SP (DIEESE);
mais de 55% da população ocupada sem carteira
profissional assinada devidamente; aumento desmesurado da
inadimplência; "doação" do
patrimônio nacional, como, por exemplo, a entrega
da Vale por U$$ 3,3 bilhões a representantes de grupos
estrangeiros, com a utilização de recursos
do BNDES; imposição da criação
do ministério da Defesa com a tentativa de transformação
das Forças Armadas em milícias de combate
ao narcotráfico; falência da infra-estrutura
econômico-social; dependência tecnológica;
Congresso submisso e Judiciário omisso; extinção
da classe média; perda da soberania nacional; sucateamento
das Forças Armadas; reformas previdenciária
e administrativa, ferindo direitos adquiridos, retornando
o povo à escravatura.
Apresentamos
como sugestões a serem concretizadas: definir a situação
do Estado na atividade econômica, no tocante a suas
funções normativa, administrativa e produtiva,
num projeto nacional de desenvolvimento, capaz de explicar
claramente os setores que, respectivamente, não devem
ser privatizados, podem ser privatizados, devem ser privatizados;
reformular a legislação existente, tornando-a
mais racional e compreensível; cumprir, com rigor,
as leis em vigor, reformulando o aparelho estatal, para
dotá-lo de mais eficiência e eficácia;
dinamizar a atuação das empresas sob comando
do Estado, tornando-as mais eficazes, disseminando o contrato
de gestão, pugnando para que sejam menos vulneráveis
a injunções políticas; privatizar as
empresas que devem ser transferidas para o setor privado,
através de preços de venda justos, com avaliações
seguras, no momento adequado, com a utilização
de moeda forte, estimulando a participação
de empregados e consumidores, evitando-se a criação
de formas imperfeitas de mercado, com o emprego de "golden
share", devendo ser estimulada a criação
de modelos bipartites ou tripartites; elaboração
de um Plano Nacional de Desenvolvimento capaz de conter
políticas e estratégias correlatas, capazes
de corrigir os desequilíbrios macroeconômicos
existentes; mudanças na política fiscal (a
cada real arrecadado, corresponde um real sonegado, segundo
a Price Waterhouse e o ex-secretário da receita federal,
Sr. Oziris Lopes Filho). Caso haja diminuição
de 50% na sonegação, existirão recursos
adicionais de quase R$ 200 bilhões ao ano, efetuando-se
em paralelo a diminuição das alíquotas,
combate à sonegação, aumento do universo
tributário e da arrecadação, queda
na taxa de juros; reforma do Estado, fazendo retornar o
setor público à situação de
poupador positivo em 4% do PIB (década de 70), restabelecendo
a sua capacidade de investimento; alteração
nas políticas cambial e do comércio exterior;
romper com o FMI e renegociar dívida com o sistema
financeiro internacional; utilização do controle
cambial, na entrada e saída de capitais, utilizando
inclusive mecanismos tributários; criação
de barreiras às importações, tarifárias
e outras, estímulo às exportações
para diminuir a vulnerabilidade externa; combate á
fuga descontrolada de capital; investimento maciço
na infra-estrutura econômico-social, comandada pelo
setor público, estancando o processo de privatização
selvagem, estimulando o modelo tripartite; políticas
públicas: reorientação dos gastos públicos
para áreas sociais; BNDES financiando as empresas
de capital nacional, diminuindo as taxas de juros na ponta,
em especial para micro, pequenas e médias empresas;
crédito e habitação populares; consumo
de bens essenciais e de infra-estrutura; políticas
fundiária e agrícola: garantia de preços
mínimos, juros adequados à taxa de retorno;
busca da auto-suficiência; política industrial:
capaz de garantir a reestruturação produtiva,
proporcionando maior valor agregado às exportações.
O Brasil
tem todas as condições para ser, em conjunto
com a China, a potência do terceiro milênio:
recursos naturais, dimensão e população.
Para isto, é vital: imperiosa necessidade da inserção
soberana do Brasil no mercado internacional; elevação
da auto-estima, da capacidade de crença no futuro
do povo brasileiro; alteração do modelo econômico
para outro que tenha como variável-meta o pleno emprego
dos fatores de produção e sua digna remuneração;
fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas
para aumento do mercado interno, geração de
mais empregos, revolução educacional para
transformação da mente de nosso povo; mais
trabalho, mais honestidade, civismo e patriotismo. |