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Col Irm José Francisco
Rodrigues - Dia 02/03/2002

Cérebro é capaz de dar origem
a novos neurônios
LONDRES - Ao contrário do que afirma o conhecimento
popular, é possível ensinar
novos assuntos a pessoas e animais idosos. Em um artigo
a ser publicado nesta quarta-feira na revista científica
"Nature", cientistas do Instituto Salk de Estudos
Biológicos, na Califórnia, afirmam que camundongos
fisicamente ativos podem criar novos neurônios altamente
funcionais.
As novas células
foram geradas no hipocampo, uma área do cérebro
associada ao aprendizado e à memória, encontrada
em mamíferos.
- Esta é a primeira
demonstração desse fenômeno de que a
neurogênese ocorria no cérebro adulto, dando
origem a células que são funcionais e que
amadurecem por um longo período - disse Fred Gage,
autor do estudo.
Gage e sua equipe já
haviam demonstrado que os camundongos que eram estimulados
dentro das gaiolas através de atividades físicas
ou brinquedos produziam mais novos neurônios do que
os animais que viviam de forma sedentária em pequenas
gaiolas.
Agora eles provaram que
as novas células amadurecem durante um longo período
e se tornam neurônios funcionais no cérebro
adulto. A descoberta pode ajudar os cientistas a saber como
os neurônios são formados em animais e humanos,
até mesmo em adultos.
A vantagem de existir uma
mesma estrutura nessas diferentes espécies é
que você sabe que a neurogênese ocorre tanto
no camundongo quanto no homem e pode usar o animal como
um modelo - disse Gage em uma entrevista.
O benefício destas
descobertas para as doenças degenerativas como o
Mal de Alzheimer ainda é desconhecido. As novas células
podem substituir os neurônios que morrem ou podem
permitir que o cérebro humano permaneça adaptável.
Gage diz que é crucial determinar a função
desses novos neurônios no cérebro adulto e
saber por que eles são criados em apenas algumas
áreas do cérebro.
Se entendermos o mecanismo
através do qual essas células continuam a
se dividir e a aprender como se diferenciam, poderíamos
conseguir ensinar outras áreas do cérebro
para fazerem a mesma coisa - darem origem a novos neurônios
- contou Gage.
As células-tronco,
precursoras dos novos neurônios, existem em todo o
cérebro e na medula espinhal, mas não dão
origem a eles. Os cientistas suspeitam que exista algum
aspecto único sobre a região do cérebro
onde são encontrados, permitindo seu amadurecimento.
Escândalo da Sudam
respinga em Roseana
Fonte CNN
- Brásília
A aliança governista
entre o PFL (Partido da Frente Liberal) e o PSDB (Partido
da Social Democracia Brasileira), de Fernando Henrique Cardoso,
sofreu um grave abalo depois que agentes da Polícia
Federal vasculharam os escritórios de Jorge Murad,
marido da governadora do Maranhão, Roseana Sarney,
em busca de documentos relacionados à fraude na extinta
Sudam.
A operação,
deflagrada na sexta-feira em São Luís, no
Maranhão, visou a empresa de Murad, que é
secretário estadual de Planejamento, desencadeando
uma reação enfurecida da cúpula do
PFL e, em especial, de Roseana, pré-candidata do
partido à sucessão de Fernando Henrique.
Encostada no primeiro colocado,
Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores,
nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência
da República, Roseana se disse vítima de perseguição
política, uma vez que já deixou claro que
não abrirá mão de sua candidatura em
favor do ex-ministro da Saúde José Serra,
que concorre pelo PSDB.
"Não vão
conseguir me intimidar. Isso é uma arbitrariedade,
um ato político vergonhoso", reagiu Roseana.
"O alvo não
é meu marido, sou eu. Jorge Murad não tem
ou teve qualquer projeto nem interesse pessoal na Sudam.
Não podemos aceitar a violação dos
direitos individuais e a utilização do medo
e do terror como armas políticas", afirmou a
governadora, por meio de um comunicado.
O presidente do PFL, senador
Jorge Bornhausen, classificou a operação da
Polícia Federal como uma violência descabida
e levantou suspeitas de que assessores de Serra tenham feito
denúncias falsas contra Murad, a fim de prejudicar
a campanha de Roseana.
Bornhausen chegou a telefonar
ao presidente Fernando Henrique para reclamar da operação
policial. Também o senador e ex-presidente José
Sarney, pai de Roseana, entrou em contato com FHC, em iniciativa
vista em Brasília como um aviso de que a aliança
entre o PFL e o PSDB está por um fio.
Neste sábado, a liderança
do PFL mobilizou-se para discutir a repercussão da
operação contra Murad. A expectativa é
de que a primeira resposta seja a saída de José
Sarney Filho, irmão de Roseana, do governo federal,
no qual ocupa a pasta do Meio Ambiente.
O ministro da Justiça,
Aloysio Nunes Ferreira, se disse revoltado com as alegações
do PFL e negou com veemência que a operação
da Polícia Federal tivesse fins políticos.
A busca nos escritórios
da empresa de Murad deu-se por mandado expedido pela juíza
Ednamar Silva Ramos, da Segunda Vara da Justiça Federal
em Tocantins.
Trata-se da mesma vara que,
como parte das investigações sobre o desvio
de verbas na Sudam, decretou o seqüestro dos bens de
Jader Barbalho, que renunciou à cadeira no Senado
- e à presidência da Casa -, no ano passado.
Brasileiros continuam
economizando energia
Fonte: CNN
BRASÍLIA (CNN) -- O primeiro balanço feito
pelo governo federal sobre o efeito do fim do racionamento
de energia revelou que, mesmo livre das restrições,
o brasileiro continua economizando.
Números divulgados
pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS),
revelaram que, nos dois primeiros dias de março,
os moradores das regiões centro-oeste e sudeste até
reduziram mais o consumo de energia elétrica.
Em relação
ao mesmo dia da semana anterior, as duas regiões
haviam gastado, na tarde de sexta-feira, 50 megawatts a
menos.
O mesmo procedimento foi
verificado na região nordeste, só que em escala
menor: uma redução de 26 megawatts na comparação
com a semana anterior.
O balanço confirma
o resultado de uma pesquisa feita pelo governo antes de
anunciar o fim do racionamento, segundo a qual 85 por cento
dos brasileiros consultados disseram que continuariam a
cumprir metas baixas de consumo.
Com menos deduções, IR aumenta até
45% este ano
Estudo mostra que impacto maior é para quem tem renda
mensal de R$ 2 mil
Fonte: Globo News
RIO - Após seis anos sem contar com a correção
da tabela do Imposto de Renda (IR) - congelada desde 1995
- o brasileiro se prepara agora para fazer a sua declaração
de 2002 enfrentando os limites estabelecidos pela Receita
Federal para a dedução de despesas. Estudo
realizado pela consultoria Ernst & Young mostra que,
como o Fisco eliminou ou restringiu algumas deduções
nos últimos anos, famílias de classe média
vão pagar este ano de 5% a 45% a mais de imposto.
Os mais prejudicados são
os contribuintes que recebem R$ 2 mil mensais (R$ 24 mil
por ano). Uma família nessa faixa de renda com dois
filhos pagava, por exemplo, R$ 573,30 de IR - quando eram
permitidas deduções maiores com instrução
e até abatimento de aluguel. Hoje, ela pagará
ao Leão R$ 829,80. O aumento da carga tributária
é de 45%.
- Hoje o contribuinte é
duplamente punido. Além da tabela congelada (a correção
de 17,5% aprovada pelo Congresso só valerá
no ano que vem), a despesa com instrução é
maior que o limite de R$ 1.700 por dependente. As deduções
deveriam voltar. Dariam mais folga para as famílias
- disse José Candido, gerente-sênior de Consultoria
Tributária da Ernst & Young, sugerindo a dedução
de juros de financiamentos da casa própria.
Ele explica que, antes das
mudanças, se um contribuinte tinha R$ 2.500 de gastos
com a instrução de um filho de 14 anos, por
exemplo, e com outro filho, de 2 anos, de mil reais, podia
aproveitar a "sobra" do filho menor. Ou seja,
os R$ 700 não utilizados pelo caçula - que
gastou menos do que o limite de R$ 1.700 - poderiam ser
aproveitados pelo filho de 14 anos, que tem mais despesas
com educação, como cursos de línguas,
de computação e livros. Mas hoje isso não
é permitido. Se pudesse fazer a transferência,
esse contribuin- te deduziria mais e pagaria menos IR. A
consultora sênior Renata Vasquez ressalta que as comparações
feitas pela Ernst & Young mostram como o contribuinte
perdeu com as mudanças na declaração
a partir do ano-calendário de 1996, quando a dedução
da despesa com instrução passou a ter um limite
individual, por dependente, de R$ 1.700.
Além disso, as simulações
levam em conta que o contribuinte podia abater gastos com
o aluguel, até 1988. A professora Maria Hilda Santos,
que mora em Niterói e tem um casal de filhos, de
16 e 18 anos, reclamou do limite de deduções
com educação. A filha está num colégio
particular e o filho vai entrar para uma universidade privada:
- Não consigo abater
nem a metade dos gastos com educação. Isso
é injusto porque o ensino público não
oferece qualidade na formação dos filhos.
Ainda segundo a consultoria,
um trabalhador com salário mensal de R$ 2.500 era
obrigado a pagar R$ 1.473,30 de IR. Este ano, terá
uma despesa de R$ 1.821,30 (+ 24%). Já uma família
com renda de R$ 3.500 por mês, que pagava antes R$
4.651,05 de imposto, este ano terá uma despesa de
R$ 4.884,80, um acréscimo de 5%.
Outro incentivo que o con-
tribuinte perdeu foi o desconto de 5% ao ano sobre o ganho
de capital na venda de imóveis. Até 1988,
quem vendia uma casa ou apartamento tinha esse direito,
que chegava a 100% de dedução. Hoje, quem
vende imóvel adquirido após 1988 não
tem direito à dedução.
Segundo a Ernst & Young,
o fim da redução de 5% sobre o ganho na venda
de um imóvel de classe média alta, na Zona
Sul do Rio, por exemplo, elevou a carga tributária
em até 53,8%. Este é o caso de um apartamento
comprado, em junho de 1995, por R$ 300 mil, e vendido em
dezembro do ano passado por R$ 500 mil. Com o desconto de
5% ao ano (hoje não permitido), o contribuinte pagaria
R$ 19.500 de IR. Hoje, a mordida do Leão é
de R$ 30 mil.
O tributarista Ives Gandra
critica o fato de a carga tributária brasileira ter
chegado a cerca de 34% do Produto Interno Bruto (PIB) do
país:
- A carga para o povo no
Brasil também é elevada, os serviços
públicos são ruins e temos muito menos deduções
do que o contribuinte dos Estados Unidos. Já o tributarista
Ilan Gorin ressalta que a correção de 17,5%
na tabela do IR foi a metade da inflação do
período. Ele defende a ampliação de
deduções no IR, como nas despesas com educação
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