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Col Irm José Francisco Rodrigues -

Comemora-se no primeiro dia do mês de abril, em muitos
países, o Dia da Mentira. Mas pouca gente sabe a
origem dessa comemoração. Os poucos que se
arriscam a explicá-la, sempre acham que o Dia da
Mentira nasceu de uma piada ou de uma brincadeira de mau
gosto.
Conta-se que a história do Dia da Mentira começou
no ano 45 depois de Cristo, na França, e sua explicação
está ligada à astronomia.
Até o início da contagem do calendário
cristão, praticamente todos os países da Europa
tinham calendários próprios. No da França,
o ano sempre começava no dia 1º de abril e,
nesse dia, todos trocavam presentes, como acontece hoje
no 1º de janeiro.
No ano 45 da era atual, Júlio César, que então
governava a França, fez uma reforma total no calendário
do país - Reforma Juliana, como ficou conhecida -,
determinando que o calendário anual da França
tivesse início em 1º de janeiro.
Mas essa reforma não teve aceitação
imediata e unânime. Por muitos anos, os franceses
ainda tinham o 1º de abril como primeiro dia do ano.
Com o passar do tempo, o novo calendário foi sendo
absorvido na cultura francesa, mas a população
em geral não esqueceu o primeiro dia do calendário
antigo.
No século 15, o novo calendário já
era obedecido por todos, daí o 1º de abril passou
a ser uma data festiva. Os presentes de antes, foram substituídos
por falsos presentes e ‘‘pregações
de peça’’. Era comum, até, os
jornais publicarem falsos eventos sensacionalistas para
atrair a atenção da população.
Essas brincadeiras se espalharam por todo o mundo, e muitos
países cultivam a tradição do 1º
de abril, inventando mentiras para ‘‘enganar’’
amigos e parentes. E no Brasil não é diferente.
Impossível relacionar aqui todas as brincadeiras
já feitas referentes ao primeiro de abril. Até
mesmo eram distribuídas cartas convidando amigos
para assistirem ao enlace matrimonial de pessoas que nem
sequer se conheciam, mencionando a igreja, o dia e a hora
em que seria celebrado o suposto casamento.
Vejamos alguns primeiros de abril pregados pela imprensa
mundial, conforme relata a revista Isto é, de São
Paulo, n11 1488, edição de 8 de abril de 1998:
1) "A África do Sul comprou Moçambique
por US$ 10 bilhões.
0 anúncio do negócio fora feito na Organização
das Nações Unidas pelo presidente sul-africano
Nelson Mandela. Deu no jornal Star, de Johannesburgo;
2) A Rádio Medi, de Tânger, no Marrocos, noticiou
que o Brasil não iria participar da Copa do Mundo
porque o dinheiro da seleção seria usado na
luta contra o incêndio em Roraima;
3) A minúscula república russa Djortostão
declarou guerra ao Vaticano. Motivo: arrebatar o título
de menor Estado da Europa. Para tanto, ele teria doado seis
metros quadrados de seu território a uma república
vizinha. Isso tudo de acordo com o jornal Moscou Times.
4) Diego Maradona, ex-capitão da seleção
argentina de futebol, é o novo técnico da
seleção do Vietnã. Deu nos principais
jornais vietnamitas.
5) Ao deixar o Senegal, o presidente americano Bill Clinton
seria acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros
50 senegaleses que fossem à embaixada para pedir
visto de entrada nos EUA. Assim informou o jornal Le Soleil,
do Senegal. Centenas de senegaleses acreditaram na mentira
e correram para a embaixada americana."
Noticiando o falecimento de Maurício Fruet, ex-prefeito
de Curitiba e ex-deputado federal, a revista Isto é,
São Paulo, nº 1510, edição de
9 de setembro de 1998, informou que ele "era considerado
o parlamentar mais brincalhão e espirituoso que passara
pela Câmara dos Deputados. Um exemplo: convocou uma
falsa reunião de todo o secretariado do então
governador coberto Requião no dia 1º de abril
de 1990 (havia 15 dias que Requião tomara posse).
Os Secretários, sem entender nada, passara m toda
a madrugada no Palácio Iguaçu. De manhã,
Fruet fez chegar a informação de que era um
trote do Dia da Mentira."
Tudo faz crer que as brincadeiras, originárias das
plaisanteries francesas, continuem sempre a existir, graças
à eternidade das manifestações folclóricas
no mundo inteiro.
Reuters
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