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Dr.Geraldo Mendes dos Santos ( * )
Tendo participado na
última semana dos trabalhos de elaboração
do plano diretor para a cidade de Manaus, assisti a um rol
imenso de idéias maravilhosas de profissionais e
leigos, com vistas à melhoria das condições
de vida do povo e do aproveitamento sustentável das
potencialidades locais. Mais recentemente, tive a oportunidade
de assistir à duas palestras de candidatos a reitor
da Universidade do Amazonas, onde foram tecidos comentários
competentes e brilhantes a respeito dos entraves, oportunidades
e especialmente do papel dessa instituição
no contexto educacional, científico e sócio-cultural
do estado e por extensão, de toda a Amazônia.
Os dois eventos se constituíram
em autênticas aulas de visão estratégica,
administração e planejamento e também
serviram como atestado de que dispomos aqui no Norte de
pessoas capacitadas, experientes e competentes. Há,
no entanto, algo surpreendente que intriga, desafia a coerência
e clama por entendimento. Isso se refere à manifestação
da existência de soluções potenciais
e alternativas viáveis para todo tipo de problema,
desde os mais corriqueiros e superficiais, aos mais estruturais
e crônicos. Claro que isso não é um
atributo único do povo dessa região, mas ocorre
sobejamente pelo país afora e certamente pelo restante
do mundo.
Daí, que compete
a simples e despretensiosa pergunta: Por que estas soluções
não são ou demoram tanto para serem implementadas?
É notório que as pessoas, mesmo não
se tratando de planejadores formais (ou talvez por isso
mesmo!), são capazes de uma análise bem elaborada
e de proposições criativas e inovadoras para
mudanças de situações e tomadas de
novos rumos. Parece que há uma grande facilidade
para detecção das causas dos impasses e que
a chave da resolução das questões se
encontram ao nosso alcance, em nossas mãos, mas parece
existir um grande distanciamento entre a vontade e o ato,
o discurso e a prática, o que temos e o que buscamos.
Em condições normais, as pessoas estão
por demais assoberbadas com as tarefas rotineiras de suas
intermináveis tarefas e funções e é
por isso que a campanha eleitoral e a realização
de grandes planos gozam de notoriedade e ganham uma dimensão
extraordinária, pois são por intermédio
delas, ou melhor, nelas próprias, que surgem espaço
e motivo para o debate geral, a reflexão conjunta
e a visão comum de novos rumos. São esses,
na verdade, os verdadeiros planejamentos estratégicos
ou talvez as estratégias mais adequadas para o bom
planejamento. Momentos como este são muito especiais,
pois é neles que normalmente ocorrem os desabafos
mais profundos, as declarações mais honestas
acerca de acertos e falhas. É o momento em que ocorrem
o confronto entre as intenções do passado,
as realizações do presente e as percepções
do futuro, constituindo-se, portanto, em um completo e valioso
balanço. Tudo indica que é na vertente destes
vetores que se encontram o ponto de apoio e o porto seguro
que normalmente os vitoriosos se vêem ancorados depois
do turbilhão de discussão e disputa.
Planejamento não
pode se resumir à elaboração de planos,
aos encantos do discurso ou das promessas ilusórias;
antes, deve ser um instrumento básico para o salto
seguro, a calibragem dos passos em direção
ao alvo certo, a dilatação de novos horizontes,
a preparação correta para novas vitórias.
Planejar não pode jamais se constituir num gesto
simplório de abstração, devaneio ou
retórica. Ao contrário, trata-se de uma tarefa
complexa na busca do ponto de equilíbrio entre o
possível e o desejável. É, portanto,
a arte de vislumbrar as melhores opções, tendo
por substrato uma dose bem combinada de ousadia, prudência,
responsabilidade e inspiração.
É evidente que cada
planejador tem sua própria áurea, sua fórmula
única, sua exclusiva fôrma, mas é daí
que advém a importância do engajamento, da
participação coletiva, da combinação
polimorfa e multicor do conjunto dos atores, porque via
de regra, o bem gerido não é particular, mas
público e portanto a responsabilidade é de
todos.
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