|
Col Carlos
Henrique
Fritz
Utzeri
Pronto!
Somos o Iraque da vez! Simultaneamente, três dos maiores jornais
do mundo começam uma campanha orquestrada contra o Brasil:
o New York Times e o Washington Post acusam o Brasil de estar escondendo
algo em sua usina de enriquecimento de urânio, em Resende,
sugerindo que poderíamos estar desenvolvendo um programa
para obter a bomba. O Financial Times classifica o nosso atual governo
de ''esquerdista'' (eu, hein?) e informa que a pressão sobre
o Brasil vai crescer.
Americanos e ingleses não se conformam, porque o Brasil não
permite que técnicos da Agência Internacional de Energia
Atômica fiscalizem a fábrica que enriquece urânio,
alegando que desenvolvemos tecnologia mais barata e eficaz que a
de nossos competidores. Temos razão ao fazê-lo. Dou
minha cabeça ao carrasco se a AIEA fiscalizar as instalações
secretas dos EUA onde - aí sim - são desenvolvidas
armas de destruição em massa.
Nós somos tradicionalmente pacíficos em política
externa e nem tanto quando nos voltamos para dentro. Se os gringos
estiverem interessados (dou a informação de graça),
saibam que fabricamos nossas armas de (auto)destruição
em massa em Brasília mesmo. Na Esplanada dos Ministérios.
Mais precisamente, nos gabinetes da equipe econômica.
Palocci & Meirelles, com sua política recessiva e juros
na estratosfera, têm matado dezenas de milhares de brasileiros
de fome e vêm matando outros milhões de raiva. Bomba
neles, Bushinho! Se a tensão prosseguir, poderemos até
acabar sendo invadidos pelos ianques. Pra nós, iam sobrar
algumas vantagens. O Banco Central seria substituído - de
imediato - pelo Federal Reserve (o BC americano), que fixaria aqui
a mesma taxa de juros que vale nos EUA: 1% ao ano. Talvez assim
o país voltasse a crescer...
Por que enriquecer urânio, em lugar de vendê-lo in natura?
O professor Weber Figueiredo, da Uerj, paraninfo da turma de engenharia
deu, recentemente, uma aula magistral para ajudar a entender coisas
como valor agregado, soberania e importância da ciência
e tecnologia. Devíamos ensinar isso às crianças
na escola primária. Peço licença a mestre Weber
e abro-lhe o meu espaço: ''Para começar, vamos falar
de bananas e do doce de banana, que vou chamar de bananada especial,
inventada (ou projetada) pela nossa vovozinha lá em casa,
depois que várias receitas não deram certo. Para entendermos
a importância do engenheiro vamos falar de bananas, bananadas
e vovó. A banana é um recurso natural. Não
sofreu nenhuma transformação. A bananada é
igual a banana, mais outros ingredientes, mais a energia térmica
fornecida pelo fogão, mais o trabalho da vovó e o
conhecimento, ou tecnologia da vovó. A bananada é
um produto pronto, que vou chamar de riqueza.
E a vovó? Bem, a vovó é a dona do conhecimento,
uma espécie de engenheira da culinária. Agora, vamos
supor que a banana e a bananada sejam vendidas. Um quilo de banana
custa R$ 1. Já um quilo da bananada custa R$ 5. Por que essa
diferença de preços? Porque quando colhemos um cacho
de bananas na bananeira, criamos apenas um emprego: o de colhedor
de bananas. Agora, quando a vovó faz a bananada, ela cria
empregos na indústria do açúcar, da cana-de-açúcar,
do gás de cozinha, na de fogões, de panelas, de colheres
e até na de embalagens, porque tudo isto é necessário
para se fabricar a bananada. Resumindo: 1kg de bananada é
mais caro do que 1kg de banana porque a bananada é igual
à banana mais a tecnologia agregada, e a sua fabricação
criou mais empregos do que simplesmente colher o cacho na bananeira.
Agora vamos falar de outro exemplo que acontece no dia-a-dia no
comércio mundial de mercadorias. Em média, 1kg de
soja custa US$ 0,10 (dez centavos de dólar), 1kg de automóvel
custa US$ 10, isto é, 100 vezes mais, 1kg de aparelho eletrônico
custa US$ 100, 1kg de avião custa US$ 1 mil (10 mil quilos
de soja) e 1kg de satélite custa US$ 50 mil. Quanto mais
tecnologia agregada tem um produto, maior é o seu preço,
mais empregos foram gerados na sua fabricação.
Os países ricos sabem disso muito bem. Eles investem na pesquisa
científica e tecnológica. Por exemplo: eles nos vendem
uma placa de computador que pesa 100g por US$ 250. Para pagar essa
plaquinha eletrônica, o Brasil precisa exportar 20 toneladas
de minério de ferro. A fabricação de placas
de computador criou milhares de bons empregos lá no estrangeiro,
enquanto que a extração do minério de ferro
cria pouquíssimos e péssimos empregos aqui no Brasil.
O Japão é pobre em recursos naturais, mas é
um país rico. O Brasil é rico em energia e recursos
naturais, mas é um país pobre''.
|