Ricardo Bergamini
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Análise escrita por Ricardo Bergamini
em 06/03/2010.
Em 2007, segundo o IBGE, o maior PIB per capita continua sendo o do Distrito Federal (R$ 40.696,08), cerca de três vezes o PIB per capita nacional (R$ 14.464,73). No período, os três maiores PIB per capita permaneceram na mesma ordem Distrito Federal (R$ 40.696,08), São Paulo (R$ 22.667,00) e Rio de Janeiro (R$ 19.245,00) assim como os dois menores Maranhão (R$ 5.165,00) e Piauí (R$ 4.662,00.) (IBGE).
A Amazônia é a região compreendida pela bacia do rio Amazonas, a mais extensa do planeta, formada por 25.000 km de rios navegáveis, em cerca de 6.900.000 km2, dos quais aproximadamente 3.800.000 km2 estão no Brasil. Já a Amazônia Legal, estabelecida no artigo 2 da lei nº 5.173, de outubro de 1966, abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, parte do Maranhão e cinco municípios de Goiás. Ela representa 59% do território brasileiro, distribuído por 775 municípios, onde viviam em 2000, segundo o Censo Demográfico, 20,3 milhões de pessoas (12,32% da população nacional), sendo que 68,9% desse contingente em zona urbana (IBGE).
Oito estados (SP, RJ, MG, RS, PR, BA, SC e DF) mantém a liderança das participações no PIB do país e, em 2007, eles concentravam quase 80% da economia (IBGE).
Reflexão Sobre os Gastos com Pessoal da União, por Unidade da Federação – Fonte MF.
Base: Ano de 2009
| Unidade da Federação |
R$ Bilhões |
% |
| Distrito Federal |
100,4 |
60,12 |
| Rio de Janeiro |
29,4 |
17,60 |
| Amazônia |
5,6 |
3,35 |
| Demais Estados |
31,6 |
18,93 |
| Total |
167,0 |
100,00 |
Conclusões:
1 - 77,72% dos gastos com pessoal da União (civis e militares) se concentram no Distrito Federal (60,12%), e no Rio de Janeiro (17,60%).
2 - Apenas 3,35% dos gastos com pessoal da União (civis e militares) se concentram nos 10 estados da Amazônia acima citados.
3 - Não podemos classificar o Brasil como sendo uma nação, com tamanhas distorções: a) PIB per Capta (variando entre R$ 40.696,08 no DF e de R$ 4.662,00 no Piauí); b) na ocupação irracional do território (59% do território ocupado por apenas 12,32% da população, e 41% do território restante ocupado por 87,68% da população); c) com a concentração de riqueza (80% do PIB se concentram em 8 estados); d) ausência de governo (77,72% dos servidores da União estão lotados no DF e RJ). Essa coisa não pode ser denominada de nação, mas sim de acampamento de refugiados.
Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.
Comentario Instituto Federalista
O Prof. Ricardo Bergamini faz um trabalho único no Brasil, que é o de consolidar dados oficiais dos Governos, em especial do Governo Central. E quando visualizados da forma inteligível como ele nos proporciona, os números, que não mentem, gritam.
Muito se fala das desigualdades nacionais, e isso tem sido justificativa para concentrar o poder, para que este possa redistribuir a riqueza. Balela! Os números mostram que a pretensa boa vontade não funcionou e nem vai funcionar. Uma Nação pode ser desigual quanto as suas diversidades, mas não na qualidade de vida. Isso não significa que a renda de um estado como Piauí deva ser igual à renda de São Paulo. As características locais é que fazem a qualidade de vida acontecer, independente da quantia de dinheiro que se acumula em cada um dos locais. Isso pode ser observado na comparação dos que vivem em cidades grandes e cidades pequenas. O que falta em uma, sobra na outra. Cidadãos da cidade grande são números e dependem de mais recursos para sobreviver. Cidadãos de pequenas cidades, são pessoas conhecidas e integrantes de uma comunidade na qual todo se conhecem. Só para citar uma das diferenças. Isso é ruim?
Certamente que não. O que é ruim, é uma localidade ter uma renda miserável e outra, renda de primeiro mundo. E o que provoca isso, certamente é a concentração de poderes, que concentrou os recursos de todo o País. Os números não mentem. E no caso, gritam!
O federalismo é o único meio de se proporcionar qualidade de vida nas diversidades brasileiras. E faz com que estas diversidades se somem, em beneficio de todos. É assim que se faz uma Nação. O que temos, é o que o Prof. Bergamini citou: um acampamento de refugiados. |