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Reinaldo Azevedo
Abaixo, Monteiro Lobato e,
à direita, representação de Tia Nastácia.
Passado do Brasil precisa ser todo revisto,
e sua produção cultural, reescrita
Eu sei que Monteiro Lobato já foi banido das escolas. Não por causa do seu suposto racismo, mas por conta do analfabetismo dos professores e da chamada "universalização do ensino" - deu-se quantidade, como sabemos, sem qualidade. Será que um professor, aprovado o Estatuto de Paim, seria louco de adotar, sei lá, Histórias de Tia Nastácia? Emília teria de ir para a fogueira. Diz a boneca bocuda:
"Pois cá comigo - disse Emília- só aturo estas histórias como estudos da ignorância e burrice do povo. Prazer não sinto nenhum. Não são engraçadas, não têm humorismo. Parecem-me muito grosseiras e até bárbaras - coisa mesmo de negra beiçuda, como Tia Nastácia. Não gosto, não gosto, e não gosto!"

Lobato era mesmo de fundir a cuca de qualquer Paim ou de especialistas que acham fácil e tranqüilo resolver o problema racial brasileiro. No mesmo livro, Dona Benta, a voz da racionalidade, fala:
"- As histórias que correm entre nosso povo são reflexos da era mais barbaresca da Europa. Os colonizadores portugueses trouxeram estas histórias e soltaram-nas por aqui - e o povo as vai repetindo, sobretudo na roça. A mentalidade de nossa gente roceira está ainda muito próxima da dos primeiros colonizadores.
- Por que, vovó?
-Por causa do analfabetismo. Como não sabem ler, só entra na cabeça dos homens do povo o que os outros contam - e os outros só contam o que ouviram. A coisa vem assim num rosário de pais a filhos. Só quem sabe ler e lê os bons livros, é que se põe de acordo com os progressos que as ciências trouxeram ao mundo".
Olhem ai o Lobato da campanha "O Petróleo é Nosso" entrando no index do politicamente correto. E sobre o Jeca Tatu?
"Este funesto parasita da terra é o caboclo, espécie de homem baldio, seminômadi, inadaptável a civilização (...). O caboclo é uma quantidade negativa". Tala cinqüenta alqueires de terra para extrair dele o com que passar fome e frio durante o ano (...)"
Vamos jogar Monteiro Lobato na fogueira. Doravante, só leremos os discursos de Paulo Paim. A história do Brasil, e isso inclui a sua literatura, terá de ser toda revista. De certo modo, o MST já conta a sua versão da terra segundo os olhos do Jeca. Falta agora reescrever a obra de Lobato segundo os novos intérpretes de Tia Nastácia. Abaixo o racismo!
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