Samaúma

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* é secretário da Educação do estado do Rio e membro da Academia Brasileira de Letras

Educação XIII
O fracasso da reprovação


 

 

Arnaldo Niskier *

 

 

 

 

A euforia neoliberal cedeu espaço, na análise da educação brasileira, a um tempo de realismo objetivo. O governo Fernando Henrique Cardoso, sendo ele professor, comemorou intensamente a universalização do ensino fundamental, quando na verdade, se isso houve, estamos certos da sua lamentável descontinuidade. Os índices de reprovação na escola pública são terríveis, como conseqüência desta política superficial e, ao mesmo tempo, inteiramente oca.

Em estudos internacionais, o Brasil ficou numa das últimas colocações, perdendo inclusive para nações africanas. Temos a média de 21% de reprovações no ensino fundamental, apesar de todos os artifícios utilizados, como a comprometedora reprovação automática. Como dormir tranqüilo com tamanha barbaridade?

Para se ter idéia do vexame, que grava especialmente as escolas fundamentais no Norte e no Nordeste, o Rio de Janeiro, que precisa melhorar, assinala 16% de taxa de reprovações, que está 5% abaixo da média nacional. A sua Secretaria Estadual de Educação está tomando medidas enérgicas para reverter o quadro, a partir de 2007, com a redução anual do índice de 2 em 2%. Para isso dispõe do Projeto Nova Escola, premiando os professores que comprovadamente fizeram reduzir a taxa. Em 2006 já foi assinalada melhoria em Língua Portuguesa e especialmente Matemática, o que promete resultados promissores daqui para a frente, com uma política séria.

Estamos convencidos de que a educação não se faz apenas com a precária transmissão de conhecimentos. É preciso demonstrar claramente que se quer ensinar (recado para os 70 mil professores e especialistas fluminenses) e que se deve levar os alunos (no caso do Rio de Janeiro, mais de 1,3 milhão) a querer aprender. Sem esse binômio fica difícil obter resultados convincentes.

Quando queremos o retorno de disciplinas como Francês, Filosofia e Literatura Brasileira, além do reforço de Religião na rede pública, o objetivo não é sobrecarregar o currículo, mas pegar firme na decisão de ensinar valores, hoje quase ausentes na relação ensino-aprendizagem. A educação moderna é científica, com forte apoio na tecnologia. A aula só de cuspe-e-giz deve ser banida, pois precisamos dos alunos bem formados e aptos a enfrentar as exigências cada vez maiores do mercado de trabalho que se sofistica, com a rápida industrialização do Estado.

Estamos convencidos de que os professores devem merecer melhores salários, com um bom plano de carreira, o que impedirá o mestre de precisar de três ou quatro escolas para lecionar, sacrificando a qualidade do seu empenho. É preciso que haja entre o mestre e o aluno uma relação mais eficiente de convívio. Isso também é educação de primeira qualidade.

Defende-se o tempo integral, pelo menos com oito horas do aluno na escola - e de forma interessada, pois se ele estiver desmotivado não haverá força no mundo que o faça apreender conhecimentos ou atitudes adequadas. Há muito o que fazer.