|
Irm Marcos
Coimbra *
Professor
Titular de Economia junto à Universidade Candido Mendes,
Professor aposentado da UERJ e Conselheiro da ESG - Escola superior de Guerra.
Lecionamos no ensino superior há 32 anos. Trabalhamos em
Universidades públicas e privadas, exercendo cargos de diretor
de Faculdade, chefe de Departamento, coordenador de Centro de Extensão,
de Desenvolvimento Empresarial e outros. Aprendemos muito em nosso
ofício e continuamos a aprender.
O principal fator de Desenvolvimento
Econômico de um país reside na educação
do povo. E entenda-se Educação em seu conceito mais
amplo, abrangendo desde a transmissão de princípios
e valores pela família, passando pelo ensino formal, até
chegar ao processo de absorção de informações
efetivado através de outros canais, como a leitura voluntária,
as notícias dos meios de comunicação etc.
Não conhecemos qualquer país pertencente ao seleto
grupo dos mais desenvolvidos que tenha atingido tal posição,
sem antes ter feito um investimento maciço no ensino. Foi
assim nos EUA, no Japão e agora na Índia e na China.
E o esforço deve principiar pelo ensino básico, de
boa qualidade, de caráter universal, obrigatório.
A base é fundamental. E o critério de ingresso e de
aprovação deve ser o mérito.
A utilização
de experiências exóticas importadas de outras culturas
e rincões deve ser evitada. Inclusive, algumas já
abandonadas por eles, como o sistema de cotas para alunos da raça
negra ou oriundos do ensino público. É uma forma de
discriminação odiosa e de verdadeira agressão
aos supostos "beneficiados". É o início
do fim. Depois, virá a "aprovação automática"
nas Faculdades, como no primeiro grau. As conseqüências
são conhecidas. Crianças que, após quatro anos
na Escola, ainda são analfabetos funcionais.
Vamos formar o que? Não é isto que
o Brasil necessita e precisa. É dever do Estado propiciar
ensino gratuito e de excelente qualidade em todos os níveis
a todos. O primeiro grau, de responsabilidade municipal, o segundo
grau, de âmbito estadual e o terceiro grau, da União,
principalmente. Isto não quer dizer que não existam
excelentes Universidades estaduais ou excepcionais colégios
federais, como o Pedro II e o Militar.
A desculpa da inexistência
de recursos é ridícula. Há recursos para pagar
R$ 150 bilhões de juros da dívida interna e US$ 15
bilhões de juros da dívida externa ao ano. O total
de investimentos aplicado em saúde e educação
pela administração federal não chega a 1/3
do valor desperdiçado em juros internos. O resultado foi
o de que o segmento financeiro, isolado, foi o mais lucrativo de
todos, em 2003, auferindo cerca de R$ 10 bilhões de lucros.
É um escândalo! Além da transferência
de recursos do setor produtivo para o setor financeiro, a administração
petista ainda poupa recursos, deixando de investir em infra-estrutura
econômico-social para enriquecer os banqueiros nacionais e
internacionais. É imperioso salientar que, a exemplo dos
setores saúde, energia, comunicações e transportes,
também na educação, houve, nos últimos
20 anos, seu progressivo esvaziamento, com a queda progressiva de
investimentos públicos e o conseqüente avanço
do segmento privado em todos eles. E a deterioração
crescente dos serviços prestados, em especial no ensino do
3° grau. Atualmente, a iniciativa privada responde por cerca
de 80% dos alunos matriculados no ensino superior. O ensino público
está sendo destruído implacavelmente, a cada ano.
Os profissionais são mal pagos. As funções
de extensão e pesquisa vão sendo abandonadas, por
"escassez de recursos".
As instalações e
equipamentos estão em processo de sucateamento. E a administração
federal apresenta como solução o aumento de vagas
em instituições privadas de ensino de 3° grau,
em troca da isenção de pagamento de contribuições
e tributos. Pura demagogia! É mais um subsídio para
os empresários particulares de ensino. Por que não
investir na Universidade Pública e aumentar seu número
de vagas? Para não concorrer com as instituições
privadas de ensino superior?
A grande maioria delas apresenta a seguinte situação:
Os empresários estão em excelente situação
econômica. Enquanto seus alunos não conseguem empregos
no "mercado", seus filhos, noras e genros são contratados,
em excelentes situações financeiras, com posições
de comando, por "coincidência", nas suas faculdades.
Passam a dirigir aqueles que foram seus professores ontem. E como
são arrogantes! Se pelo menos tivessem competência
e valor. Mas galgaram os novos postos por herança, não
por mérito. Os alunos pagam valores expressivos.
E os profissionais
de ensino, professores e outros funcionários, estão
sendo demitidos sumariamente, para diminuir custos. Os currículos
são alterados para agrupar turmas de cursos diferentes. Seus
salários, 13°, reajustes estão atrasados, há
meses. Recebem declarações de rendimentos que não
foram pagos. Quando pedem à Caixa Econômica o FGTS
devido, recebem a notícia de que os valores não são
depositados há anos. São obrigados a recorrer à
Justiça e demorar anos para receber a importância prevista.
Comenta-se que os valores recolhidos na fonte para INSS, Receita
Federal etc. não são recolhidos. Várias Universidades
usam o contrato temporário. E ganham milhões todos
os meses. E a qualidade de ensino desaba. É este o modelo
padrão do futuro ensino no país? E nenhuma autoridade
faz nada. As famílias são obrigadas a trabalhar
o dia inteiro para sobreviver. Pais mães não conseguem
mais contato físico regular com seus filhos, que são
criados pelos avôs, babás ou creches. Muitos são
sustentados pelos pais, pois não conseguem emprego. Muitas
TVs abertas produzem "lixos culturais". Alguns meios de
comunicação empreendem uma verdadeira "lavagem
cerebral", inoculando na juventude conceitos e informações
falsas, promovendo perversões, anomalias comportamentais
e vícios, procurando destruir as Instituições
e os princípios e valores legados por nossos antepassados.
Com este panorama será difícil reverter a anarquia
reinante. |