Samaúma
 







Educação VI
Deformação cultural

Amigo Tibério

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O maldito atraso do Brasil se deve a deformação cultural de nosso povo, que desde os bancos escolares aprendem a detestar números, gráficos e tabelas.

Em vista do acima exposto o debate brasileiro sempre foi travado apenas no campo da masturbação mental ideológica.

Haja vista que o meu trabalho raramente é questionado tanto na imprensa, quanto na internet, tendo a nítida sensação de que diariamente escrevo para o vento.

Abaixo duas reflexões sobre o que escrevi acima. Um Feliz Ano de 2006.

Reflexão 1
Autor: Andrei Pleshu, filósofo romeno.

"No Brasil, ninguém tem a obrigação de ser normal. Se fosse só isso, estaria bem. Esse é o Brasil tolerante, bonachão, que prefere o desleixo moral ao risco da severidade injusta. Mas há no fundo dele um Brasil temível, o Brasil do caos obrigatório, que rejeita a ordem, a clareza e a verdade como se fossem pecados capitais. O Brasil onde ser normal não é só desnecessário: é proibido. O Brasil onde você pode dizer que dois mais dois são cinco, sete ou nove e meio, mas, se diz que são quatro, sente nos olhares em torno o fogo do rancor ou o gelo do desprezo. Sobretudo se insiste que pode provar".

Reflexão 2
"Somente os profetas enxergam o óbvio"
Nelson Rodrigues.

"Grandes criadores da ciência moderna tais como, Kepler, Galileu e Newton interpretavam a inteligibilidade matemática do cosmo num sentido teológico (como seus contemporâneos Descartes e, sobretudo, (Malebranche). Deus criou o mundo com leis matemáticas colocando em nosso espírito "ciências de verdade" (Descartes) que nós apenas temos de desenvolver para compreendê-lo. Kepler, entusiasmado com sua descoberta da trajetória elíptica dos planetas, exprime, numa bela página dos seus Cinco Livros sobre a Harmonia do Mundo, sua gratidão a Deus: "Agradeço-te, Criador e Senhor, por me teres regozijado o espírito com o espetáculo de tua obra". Leibniz admirava profundamente a extrema simplicidade das leis do universo, em que o máximo de efeitos realizou-se com o mínimo de meios. "O mundo", dizia, "originou-se dos cálculos de Deus". Já Platão invocava um Deus que "sempre geometriza". Na Bíblia, o Livro da Sabedoria (XI, 20) ensina-nos que "Deus tudo regulou com medida e com número".


Abraços

Ricardo Bergamini