Estado de São Paulo
São cerca de 700 mil estudantes a menos, segundo dados preliminares do Censo Escolar. MEC ainda não tem explicação...
Dados iniciais do Censo Escolar de 2005 mostraram uma queda de 1,4% no número de alunos do ensino básico no País, porcentual que equivale a 700 mil estudantes a menos. É a primeira vez nos últimos 10 anos que diminui o total de alunos no Brasil.
Os dados ainda são preliminares - a versão final do Censo fica pronta em dezembro - mas pegaram o Ministério da Educação de surpresa e sem explicações.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirma que a queda não pode ser causada por um aumento na evasão escolar. Isso porque outros dados que estão sendo levantados pelo MEC mostrariam que a freqüência escolar entre as famílias mais pobres - e mais propensas ao abandono escolar - estaria aumentando. São números do programa de avaliação da freqüência feita entre os beneficiários do programa Bolsa Família e que devam ser divulgados na sexta-feira.
Davi Schmidt, diretor de estatísticas da Educação Básica do Instituto Nacional de Estatísticas e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelo Censo Escolar, explica que ainda não há como se saber o que está acontecendo. "É isso que estamos querendo entender. Entre 2003 e 2004 também houve uma queda no ensino fundamental. Ainda não sabemos as razões, mas estamos nos debruçando sobre isso", disse.
Ensino fundamental
A queda no número de estudantes se concentra no ensino fundamental, o que não é novidade. O número de estudantes de 1.ª a 8.ª série vem caindo regularmente nos últimos quatro anos. A explicação, de acordo com o ministério, é a regularização do fluxo escolar - ou seja: mais estudantes conseguem terminar o ensino fundamental porque há menos repetência e evasão escolar.
Com isso, diminuem os estudantes represados nessas séries e eles passam para o ensino médio. Por isso, o ensino médio também vinha crescendo em taxas altas nos últimos anos.
Mas não foi o que aconteceu neste ano e nem no ano passado. O ensino médio praticamente não cresceu, ficando em torno de 9,03 milhões de alunos. O porcentual de estudantes a menos nos bancos escolares é praticamente o mesmo daqueles que saíram do ensino fundamental. Mas, aparentemente, eles não foram para o ensino médio.
Ensino técnico
Parte pode ter ido para o ensino médio técnico. Esse tipo de ensino cresceu 16,5% nos últimos dois anos. Essa foi uma das explicações encontradas pelo MEC em 2004 para o fato do ensino médio ter parado de crescer.
No entanto, apenas o ensino médio não pode ter absorvido todas as 700 mil crianças que sumiram das escolas. Os dados do Censo 2005 divulgados pelo ministério mostram que todos os alunos do ensino profissionalizante somados chegam a 705,6 mil alunos.
O MEC pretende encontrar explicações para o fenômeno nos próximos dias. A análise dos dados está sendo ainda feita pelos técnicos do Inep. Nos próximos 30 dias, os Estados podem ainda enviar para o ministério retificações de dados de matrículas, o que pode trazer alterações.
Educação infantil
A melhor notícia do Censo é o crescimento de 4,3% nas matrículas da educação infantil. Esse nível de ensino é o que tem menor cobertura hoje no País. Sem ser responsabilidade direta nem dos Estados nem das prefeituras, a educação infantil fica em um limbo do financiamento público.
De acordo com o Censo, 4,9 milhões das crianças até seis anos estão matriculadas em escolas municipais. Outros 2 milhões, em escolas privadas.
O Censo também levantou pela primeira vez no País a cor dos estudantes brasileiros. A proposta de pedir aos alunos que definam se são negros ou brancos criou uma enorme polêmica, mas aparentemente foi bem aceita pelos alunos: 82% deles responderam à pergunta e 46,2% disseram ser pardos. É o maior grupo, mas logo em seguida vêm os que se classificaram como brancos, com 41%. Outros 10% disseram ser pretos.
"São números muito semelhantes aos levantados pelo IBGE . Mas também vamos nos aprofundar nesses dados", disse Schmidt. |