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Irm Marcos Coimbra
Qualquer estudante
de direito reconhece a importância do contraditório.
A ninguém é lícito, moral e ético
julgar alguém ou algo sem ouvir os dois ou mais lados
envolvidos. Isto porque haverá sempre três
verdades: a do acusador, a do acusado e a verdade verdadeira.
Nos regimes totalitários, é evidente que isto
não existe. Funciona apenas a "verdade"
dos detentores do poder político. Infelizmente, é
isto que estão pretendendo impor ao mundo e, em especial,
ao Brasil.
Os sicários da globalização procuram
impingir ao mundo a crença de que ela é irreversível
e os povos somente possuem uma opção: aderir
a ela. Caso não o façam, ficarão a
margem da História, transformando-se em párias.
Contam para isto com a prestimosa colaboração
de Instituições respeitadas, de acadêmicos
influentes e da quase totalidade da imprensa mundial. Os
neoliberais procuram impor seu ideário aos principais
países do mundo, agindo por intermédio de
organizações diversas, inclusive organismos
internacionais como o FMI, Banco Mundial, BID e até
de ONGs. Através da coordenação da
Trilateral, usam associações como o Diálogo
Interamericano e sua conseqüência lógica,
o denominado Consenso de Washington, para criar o pensamento
único na comunidade mundial.
O genial escritor Eric Blair, pseudônimo de George
Orwell, escreveu várias obras magistrais. Mas, sem
dúvida alguma, "1984" marcou toda uma geração.
Previu o que poderia acontecer no mundo futuro, só
não acertando a época precisa. Hoje, no início
do terceiro milênio, os piores pesadelos dele tornaram-se
realidade. O "Grande Irmão" existe e está
cada vez mais presente. Governos instalam câmaras
de TV para vigiar os passos da população,
inclusive nas vias públicas, a pretexto de manutenção
da segurança. Empregados marcam o ponto por intermédio
de impressões digitais. Satélites monitoram
todas as atividades de porte na superfície terrestre,
sendo capazes até de identificar os movimentos de
um homem. No melhor estilo de Gramsci, todos os centros
de irradiação de prestígio cultural
são dominados, um a um, pelos "donos do mundo",
apátridas, possuidores do capital transnacional.
Erodem os valores e princípios da sociedade. Destroem
as instituições basilares (Família,
Igreja, Escola, Forças Armadas e outras). Assumem
o controle das Universidades, transformando-as em "shopping
centers". Dominam os meios de comunicação
de massa (jornal, rádio, TV), impondo-lhes, de fato,
um pensamento único, aquele imposto pelo "globoritarismo"(
totalitarismo da globalização).
Em nome da liberdade de imprensa, praticam a mais acirrada
das censuras, impedindo o acesso à chamada grande
imprensa dos que não comungam com suas idéias.
Os que discordam somente possuem acesso à imprensa
alternativa. E, mesmo assim, são eliminados quando
começam a incomodar. Ou economicamente, ou moralmente,
ou judicialmente.
Algum tempo atrás, no Brasil, a seção
brasileira da WWF (Fundo Mundial da Natureza), presidida
pelo empresário Sr. José Roberto Marinho,
usou a Justiça para anular o MSIA (Movimento de Solidariedade
Ibero-Americana), através de ação na
24ª Vara Cível, que culminou com uma diligência
de busca e apreensão de publicações
no escritório do MSIA no RJ. No fulcro da questão
está a suspensão da construção
da hidrovia Paraná-Paraguai, canal de escoamento
de produção agrícola do centro da América
do Sul, por decisão do ministro dos Transportes.
A WWF fez campanha contra o projeto da hidrovia, alegando
que haveria impacto desfavorável para a fauna, a
vegetação e a população do pantanal
mato-grossense. O MSIA defende o desenvolvimento. O texto
da petição determina que os membros do MSIA
"cessem as atividades difamatórias tais como,
mas não exclusivamente, publicação
de artigos, livros e periódicos, proferimento de
palestras, elaboração de filmes etc.",
em flagrante violação do artigo 220 da Constituição
Federal.
Na contestação ao agravo de instrumento e
à medida cautelar, para a qual o MSIA contratou o
escritório jurídico do Dr. Herman Assis Baeta,
ex-presidente da OAB, todas as afirmativas supostamente
"inverídicas, caluniosas e, até mesmo,
insanas", feitas nas publicações dos
movimentos, foram devidamente fundamentadas com evidências
irrefutáveis, inclusive as da visão misantrópica
do presidente emérito do WWF, o príncipe Philip,
que já declarou que, se tivesse que reencarnar, gostaria
de retornar como um vírus mortal, para resolver o
"problema da população".
É de se ressaltar que, na primeira instância,
na 24ª Vara Cível do RJ, o pedido de busca e
apreensão foi inicialmente indeferido pelo Juiz Paulo
Maurício Pereira, que escreveu: "inexiste prova
concreta de que as informações emitidas pela
primeira ré são falsas ou distorcidas, certo
de que não e só ela emite tais opiniões,
resumindo-se tudo na discussão envolvendo o que os
nacionalistas chamam de "política imperialista
das grandes potências mundiais" e "política
de internacionalização da Amazônia",
matérias que de há muito vêm sendo discutidas
pela imprensa, inclusive por membros do governo e militares
brasileiros, estes pelo dever que têm de resguardar
nossas fronteiras e soberania".
É preciso lutar, em todos os campos, especialmente
no espaço democrático propiciado por jornais
isentos, para reverter esta funesta situação!
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