tibério sá maia *
Em Recife, no dia 6 de março de 1817,
deflagra-se um levante no Forte das Cinco Pontas, contra o
governo de D. João VI. Ocorreu pouco antes da independência
do país. Inflamados pela antiga hostilidade entre brasileiros
e portugueses, em face do controle do comércio exercido
ostensivamente pelos colonizadores. Os ingleses também
exerciam um papel importante, nesse controle.
Sem sombra de dúvidas,
foi um dos grandes movimentos revolucionários nordestinos,
em que a Maçonaria Brasileira assumiu grande responsabilidade.
Consta que mais de cem de nossos IIrm pereceram, por ele.
O levante eclodiu como inspiração,
se não tendo como causa, principalmente a Revolução
Francesa. A independência dos Estados Unidos, a luta
pela emancipação de vários países
hispano-americanos, as concepções iluministas
destacadas, na Europa, como nas demais, foram motivos de grande
valor, nas posições tomadas.
Ocorre que controle da coroa portuguesa era
mantido no Brasil muito centralizado, em área restrita
e isolada, como a do Rio de Janeiro, trazendo prejuízo
para grande parte das demais regiões e o sistema afetava
enorme e negativamente as exportação de nossos
produtos nativos como o açúcar.
Revolução Pernambucana de 1817
se propagou, embora sem a indispensável unidade, pelas
capitanias vizinhas de Alagoas, Paraíba, Rio Grande
do Norte e Ceará.
Tudo se iniciou com a fuga do governador
Caetano Pinto de Miranda Montenegro que se sentiu pressionado,
do Recife para o Rio de Janeiro, sendo substituído
por uma Junta Governativa composta do negociante (que foi
considerado dentre todos o principal promotor do levante):-
Irm Domingos José Martins e também de um magistrado,
de um militar, de um proprietário rural e de um representante
do clero Irm José Ignácio Ribeiro de Abreu e
Lima, conhecido como Padre Roma que se tornou um dos mártires
dessa Revolução.
Nessa Insurreição Pernambucana
consolidaram-se as idéias de pátria, com os
anseios de fraternidade e de liberdade. Os rebeldes adotaram
uma Lei Orgânica, destinada a regulamentar os poderes
da república de Pernambuco. Inspirada na Declaração
dos Direitos do Homem e do Cidadão da Revolução
Francesa.
Essa lei deveria vigorar até a convocação
de uma Assembléia Constituinte, que desse ao novo país
uma Constituição definitiva.
As aspirações de lutas formavam-se, gradativamente,
entre todas as camadas descontentes da população.
Os pernambucanos já haviam experimentado,
nos palcos das batalhas dos Montes Guararapes, sucessivas
vitórias, dando oportunidade que ao nascimento do sentimento
de união entre os brasileiros.
Os insurretos procuraram o reconhecimento
e o apoio inclusive internacional, enviando emissários
do governo recém-criado a outras províncias
e aos Estados Unidos, Argentina e Inglaterra e até,
em virtude disso, foi que na Paraíba, formou-se governo
revolucionário que se declarou independente de Portugal.
Não obstante a reação
do governo português foi rápida: Destacaram uma
tropa da Bahia comandada pelo marechal Lacerda e uma esquadra
do Rio de Janeiro sob a chefia de Rodrigo Lobo.
Apesar de haver contado com o apoio incondicional
da população do Recife, a luta durou apenas
74 dias. Em 19 de maio de 1817, tropas reais enviadas por
mar e por terra pelo governo ocuparam a capital de Pernambuco,
desencadeando intensa repressão.
Os revoltosos foram vencidos com relativa
facilidade, também na Paraíba, Rio Grande do
Norte e no Ceará, aonde chegaram a controlar
os governos.
Os principais líderes foram julgados
sumariamente e executados; outros permaneceram presos até
1821, entre estes o Irm Antônio Carlos de Andrada, ouvidor
da comarca, prócer da Independência magistrado
e político Ele foi o fundador, do Grande Oriente do
Brasil, junto com seu irmão José Bonifácio.
Outro que foi mantido preso em sua companhia foi o Irm Joaquim
do Amor Divino Rebelo e Caneca (o Frei Caneca) que depois
se tornou um dos líderes do movimento revolucionário
de 1824 a Confederação do Equador que visava
congregar todas as províncias do Nordeste Brasileiro.
O Irm Caneca foi executado, por essa sua causa, em 1825. |