Samaúma - Portal Maçônico
 

 





BIBLIOGRAFIA.

Estudos Maçônicos sobre o Simbolismo, Nicola Aslan, Editora Aurora, Rio de Janeiro;

As Chaves do Reino Interno, J. Adoum, Editora Pensamento, São Paulo;

A Simbólica Maçônica, J. Boucher, Editora Pensamento, São Paulo;

Os Mestres e a Senda, C.W. Leadbeater, Editora Pensamento, São Paulo;

A Vida Oculta na Maçonaria, idem; A Franco-Maçonaria, P. Naudon, Editora Europa-América, Portugal;

Geometria Sagrada, P. Nigel, Editora Pensamento, São Paulo;

El Libro Del Aprendiz, O. Winti, Editora Wilson & Cia., Chile;

El Ideal liniciatico, O. Wirlh, Editora Kier, Argentina.

 

 

 


 

** Plantageneta

Henrique II filho de Godofredo Rei que deu origem a Dinastia Plantageneta ou Angevina (de Anjou), que reinou em Inglaterra entre 1154 e 1399. (Nota do Editor)

SIMBOLISMO.
Os Pilares Maçônicos

 

 

Irmão José Dalton Gerotti
Loja Alpha, 292
Marília-SP.
Da Revista A Verdade – Maio e Junho de 1996

 

 

Exímios escultores e hábeis arquitetos, os gregos legaram à Maçonaria Especulativa as três ordens arquitetônicas, utilizadas nos pilares, simbolizando a Sabedoria, a Força e a Beleza.

 

 

Este modesto trabalho, ora refeito em alguns pontos, foi apresentado em junho de 1986, na Loja Brasil II. Foi dedicado, "in memoriam", ao saudoso irmão Manoel Luiz da Costa, maçom de rara estirpe, que a todos os irmãos encantava pela sua candura, qualidade que o distinguia. Com a homenagem mantida, enviamos-lhe saudoso e tríplice fraternal abraço.

 

ORIGEM DO SIMBOLISMO. Simbolistas afirmam que, nos idos da Maçonaria Operativa, antes dos trabalhos maçônicos, geralmente em locais improvisados, os símbolos necessários à sessão eram desenhados precariamente no piso do local e, ao término da mesma, eram então, apagados. O painel da Loja teria surgido para evitar essa operação.

Era comum o uso de velas acesas sobre candelabros nos locais que representavam as três janelas, ou seja: uma a leste - Oriente, outra ao sul - Meio-dia e a terceira a oeste - Ocidente.

Plantageneta ** afirma que "elas representavam as três portas do Templo de Salomão...” Pequenos pilares situados ao lado dos altares dos três principais oficiais, com o tempo passaram a substituir esses candelabros.

Segundo os principais simbolistas, coube à Maçonaria anglo-saxônica miniaturizar os pilares laterais e posicioná-los sobre os altares do Venerável Mestre e dos Vigilantes.

Os antigos rituais ingleses do século XVIII ensinavam em suas páginas que a Loja era sustentada por três pilares. Um representava o Venerável Mestre ou o Rei Salomão, cuja sabedoria a todos os seus súditos encantava. Outro espelhava o Primeiro Vigilante ou Rei Hiram de Tiro, cujo Poder e Força possibilitaram a Salomão a construção do Templo. Outro, ainda, era associado ao Segundo Vigilante ou Hiram Abif, cuja habilidade em transformar o bruto em belo a todos maravilhava.

Exímios escultores e hábeis arquitetos, os gregos legaram à Maçonaria Especulativa as três ordens arquitetônicas, utilizadas nos pilares, simbolizando a Sabedoria, a Força e a Beleza.

A ordem jônica foi associada ao pilar do Venerável Mestre - Sabedoria: a dórica passou a representar o primeiro Vigilante - Forca; e a coríntia foi ligada ao pilar do Segundo Vigilante - Beleza.

As PARTES DE UM PILAR. Um pilar é dividido em três partes principais, a saber: a base, parte de contato com o solo, o fuste, parte que compõe o corpo do pilar, e o capitel, parte de sustentação da trave.

Leadbeater ensina: "Ao observar uma coluna, temos que considerar duas partes principais, a coluna propriamente dita e sobre ela o entablamento, que ajuda a suster o teto. (...) As partes do entablamento são a arquitrave, que sobressai do capitel; o friso, que é uma peça reta com adorno e a cornija, situada em cima do friso."

As ORDENS UTILIZADAS NA MIÇONARIA E SUAS LENDAS. É provável que quando o homem primitivo obrigou-se a suster um telhado para conseguir uma galeria, tenha ideado os pilares. Com troncos de madeira, no início, e posteriormente, talhados em rocha. A altura do pilar dórico corresponde a oito vezes ao seu diâmetro. Ele não tem base e o seu fuste é assentado diretamente ao solo sem pedestal. Seu contorno é circundado por 2O canelura, e seu capitel é formado de molduras, imitando uma taça.

         A lenda conta que Doros, filho de Heleno, mediu o pé de um homem de estatura mediana, na época, e constatou ser essa medida correspondente a oito vezes a sua altura. Guiando-se por essa relação, ideou o pilar, dórico, robusto, forte e nobre, que foi associado ao primeiro Vigilante, por representar a força.

         Pitágoras ensinou: "O homem é a medida de todas as coisas, dos seres vivos que existem e das não-entidades que não existem".

"Dado que o homem é a mais bela e a mais perfeita obra de Deus, - diz Cornelius Agrippa – e a Sua imagem é também o menor dos mundos ele, portanto, por uma composição mais perfeita, e uma harmonia doce, e uma dignidade mais sublime, contém e conserva em si todos os números, todas as medidas, todos os pesos, todos os movimentos, todos os elementos ( ... ) e Ele fez toda a estrutura do mundo ser proporcional ao corpo do homem ( ... ). "

Permick, referindo-se ao arquiteto Vitruvius, que viveu no primeiro século de nossa era, autor de Dez Livros de Arquitetura, diz: "( ... ) no corpo humano, Vitrúvio demonstra a harmonia simétrica que existe entre o antebraço, o pé, a palma, o dedo e outras partes menores. Compara essas partes às partes de um edifício, continuando a antiga tradição do Edifício Sagrado, visto em termos do corpo de um homem e, assim, em termos do microcosmo".

O PILAR JÔNICO. É igual a nove vezes ao seu diâmetro. O fuste é assentado sobre o pedestal vinte e quatro estrias, separadas por filetes (= bistéis) contornam o seu fuste. Em seu capitel apresentam-se duas volutas, dando ao pilar a elegância e a esbelteza de uma bela mulher.

A lenda fala que Íon, chefe grego, foi mandado à Ásia, onde construiu templos em Éfeso, dedicados a deuses gregos. Íon observou que as folhas de cortiça, colocadas sobre os pilares para evitar infiltração de água e amortecer o peso das traves, com o tempo, cedendo à pressão, contorciam-se em forma de volutas, imitando madeixas de mulher, peculiaridade essa que é a principal característica da Ordem Jônica.

O pilar Jônico foi associado ao Venerável Mestre, a Sabedoria.

         O PILAR CORÍNTIO. Abriga formas belas, elegantes e proporções delicadas, lembrando uma bela donzela. A altura do Pilar Coríntio é igual a 10 vezes o seu diâmetro O fuste pode ser liso ou estriado. Quando é esculpido em granito ou em pórfiro, tem o fuste liso. Quando talhado em mármore é, estriado, podendo ter de 24 a 32 caneluras, desde que esse número de estrias seja passível de divisão por quatro.

A lenda fala que a ama levou uma cesta, contendo brinquedos à sepultura da criança e cobriu-a com uma velha telha, por causa das chuvas. Ao chegar a primavera, um pé de acanto germinou e cresceu, transformando-se em formosa árvore. Folhas de acanto, cesta e telha teriam produzido um belíssimo efeito ao crescer a planta. Essa cena teria sido magistralmente capitada pelo poeta e escultor Calímaco, que talhou um pilar de rara beleza, com o capitel copiado daquela cena.

A POSIÇÃO DOS PILARES. Como foi dito, os pilares correspondem às três principais dignidades da Loja. Segundo Ragon, "o nome dos três pilares, sustentáculos misteriosos de nossos templos, são Sabedoria (para inventar), Força (para dirigir) e Beleza (para adornar)".

A cada um dos três. Oswald Wirth estabelece os seguintes ternários: Pai Filho e Espírito Santo; Espírito Alma e Corpo; Ativo, Passivo, Neutro - e outros mais.

Boucher diz que esses três pilares estão relacionados com três emanações divinas, contidas na Sephirot da Kaballa. E diz: "( ... ) os três pilares visíveis do Quadrado Oblongo só podem ser Chochmah, Geburah e Chesed. O Quarto Pilar, que liga diretamente o Visível ao Invisível - Birrah - à Inteligência Suprema, estando isolado da matéria, existe, mas não se mostra a nossos olhos mortais. Por outro lado, a disposição desses três, pilares implica na existência virtual do quarto".

E arremata o mesmo autor: "Os quatro pilares constituem os limites do Quadrado Oblongo (do mundo ideal) sobre o qual - em princípio – nada deve caminhar, enquanto as duas colunas situadas no limite do piso, manifestam o antagonismo das forças do Mundo Criado".

Com a passagem da Maçonaria Operativa para a Especulativa (1717), esta projetou os objetivos da Ordem para o campo da especulação e da espiritualização.

O irmão Mackey é contundente: "A arte operativa (construção de edifícios materiais) já acabou para nós e, por isso, enquanto maçons especulativos, simbolizamos os trabalhos de um templo espiritual nos nossos corações, templo puro e sem mácula, digno de ser a morada d'Aquele que é o autor de toda pureza... Essa espiritualização do Templo de Salomão é a primeira de todas as instruções da franco-maçonaria, de todas a mais importante e a mais profunda".

Wirth diz: "O edifício espiritual da Maçonaria descansa sobre três colunas simbólicas chamadas Sabedoria, Força o Beleza". A Sabedoria concebe a construção, ordena o caos, cria e determina a realização. A Força executa o projeto, segundo instruções da Sabedoria.

Contudo, não basta ser a edificação bem projetada e bem executada. É preciso ser bem adornada pela Beleza.

Quando o Venerável Mestre dá início aos trabalhos e o segundo Vigilante abate o seu pilar, enquanto o primeiro Vigilante ergue o seu, os obreiros passam a celebrar os trabalhos em nome de um Templo Interno (consciência do homem), não de um edifício material. Porque o homem, criado à imagem e semelhança do GADU, há de ascender rumo a Ele. E para isso, diferentemente dos demais seres, anseia evoluir.

E se os três pilares simbolizam as qualidades da Loja material, conhecer o quarto pilar é tarefa dos maçons que aspiram à aproximação com o GADU, que concebe Suas obras, valendo-se de Sua infinita Sabedoria, de Sua Força que é onipotente e de Sua Beleza, que resplandece na simetria e na ordem de toda Sua criação.