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Irm Geraldo Mendes dos Santos *
O Ensino não é um elemento simbólico em si mesmo, mas o principal meio de sua difusão. Ou seja, é pelo ensino que os símbolos se efetivam e perpetuam. Assim, nada mais apropriado do que tratar das instituições de ensino nesta coluna dedicada ao Simbolismo.
As lojas maçônicas brasileiras sempre funcionaram como importantes centros culturais propícios à análise das grandes questões e neles o ensino sempre foi um tema de destaque, pois é ele a ferramenta mais importante para a formação do homem, o progresso econômico, a conservação dos valores e o bem da humanidade.
O ensino maçônico no Brasil começou a se efetivar na segunda metade do século XIX, com a instalação de uma verdadeira rede de bibliotecas e escolas, a maioria com aulas noturnas. Além da estratégia maçônica, também contribuiu par o sucesso desse trabalho a fragilidade do sistema educacional público e o fato de que apenas uma pequena parcela da sociedade tinha acesso a ele.
O ensino patrocinado pela Maçonaria sempre teve um caráter laico, de boa qualidade e em condições de servir a maioria da população, mas com prioridade para a alfabetização de adultos e pobres, de acordo com o lema “educação libertadora”, aquela que liberta da ignorância, do vício e do preconceito.
No Amazonas, a Maçonaria foi responsável pela implantação de várias unidades de ensino, destacando-se dentre elas as escolas Gonçalves Ledo, Antonio Bittencourt, Deodoro da Fonseca, Silvério Nery e Aluísio Ferreira, as quais mantinham ensino primário gratuito. Depois de alguns anos de funcionamento, essas escolas passaram para a administração pública, sendo a Maçonaria responsável apenas pelas suas instalações físicas.
Mesmo tendo deixado as escolas para a administração pública, a Maçonaria continuou interessada e atuante no processo de ensino, sempre alertando e cobrando das autoridades mais empenho nesse setor, que considera vital para o país. Exemplo disso são as matérias publicadas pelos periódicos da GLOMAM e de suas coirmãs pelo país afora e também em outras partes do mundo.
Uma importante intervenção maçônica sobre o ensino foi a Nota lançada em conjunto pela Associação Brasileira de Imprensa Maçônica (Abim) e União Brasileira de Escritores Maçons (Ubem), por ocasião do seu XVI Encontro nacional, em abril de 2011. Nesta nota, essas entidades propugnam pela educação de qualidade e universalista, regida por três princípios: erradicação do analfabetismo; melhoria da educação básica e construção de uma nova vertente para a universidade e o ensino técnico profissionalizante para o Brasil.
Segundo essa nota, existem no Brasil cerca de 19 milhões (9,8%) de analfabetos e 39 milhões (20,5%) de analfabetos funcionais e que é possível erradicar o analfabetismo no Brasil em dez anos, bastando para isso um novo plano de educação nacional, maior investimento financeiro, ampliação do número de docentes e construção de novas salas de aulas. Também é lembrado que além de saber ler, escrever e contar, os estudantes precisam de qualificação técnica para poder atuar na sociedade moderna, altamente dominada pela tecnologia.
É proposto na Nota que o Ministério da Educação abrace, exclusivamente, o ensino básico ou fundamental, delegando o ensino superior ao Ministério de Ciência Tecnologia. Além disso, que se implante um projeto nacional de educação, focado nas seguintes premissas:
- Erradicação do analfabetismo
- Universalização do atendimento escolar
- Melhoria da qualidade de ensino
- Superação das desigualdades educacionais
- Formação para o trabalho
- Promoção da sustentabilidade socioambiental, humanística, científica e tecnológica do País
- Estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção de Produto Interno Bruto
- Valorização dos profissionais de educação
- Difusão dos princípios da equidade, respeito à diversidade e a gestão democrática de educação
- Implementação de escolas de tempo integral e de ensino continuado.
A Nota conclui afirmando que a Maçonaria espera que o Governo Federal e os Governos Estaduais e Municipais invistam mais e melhor em educação, dando a ela a devida importância e assim, levando o Brasil ao lugar de destaque que merece, no concerto das Nações.
Esse documento sintetiza de maneira clara o ideal maçônico de construir uma sociedade verdadeiramente esclarecida, justa e fraterna, o que somente será possível mediante a erradicação do analfabetismo e da pobreza, além do suporte à formação técnico-profissionalizante em todos os níveis. Evidentemente, essa é tarefa de todos, em todos os tempos e por todos os meios.
Conforme escrito por Elviro Dantas Cavalcante, citado no livro Centenário Maçônico, de Rodolpho Valle, a educação é primordial, porque sem o esclarecimento do espírito e a disciplina do caráter, jamais será possível alcançar os grandes objetivos maçônicos. De nada servirá a propaganda dos princípios das ciências e das vantagens das artes, se o povo, na sua grande maioria, continuar mergulhado no obscurantismo (...). Para romper caminhos na luz, dessa luz que coloca o homem no seu verdadeiro lugar no cenário da civilização, é indispensável a intensificação do ensino.
Agora, mais que nunca, por causa da globalização, é imprescindível indagar sobre a questão de ensinar o quê, como, para quê e para quem. Por exemplo, a Amazônia, com sua singularidade e grandeza, precisa ser tratada com a atenção que merece. Isso envolve estratégias, processos e até livros-texto diferenciados. A própria existência de aproximadamente 150 línguas na região amazônica deve nos levar a pensar sobre isso. Afinal, embora sejam consideradas menos sofisticadas que a nossa, foram essas línguas que permitiram a comunicação e a vivência das comunidades na floresta por milhares de anos. Assim, é evidente, que elas não podem ser desprezadas; ao contrário, devem ser respeitadas, resgatadas e preservadas. Preservar e valorizar os elementos biológicos e socioculturais locais deve ser a tarefa primordial do processo de ensino no Brasil e para isso a Maçonaria deve continuar contribuindo fortemente. |