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Irm Sylvio Claudio *
Há quem diga que a cultura afasta o homem da religião. É uma assertiva errada, porque não há, de forma alguma, incompatibilidade entre Deus e a Instrução, entre Deus e a Cultura.
Ao contrário, quanto mais estudamos, mais nos convencemos de que o Universo não é obra do acaso, não é obra material. E obra de um ser realmente onipotente, que criou essa beleza imensurável que é o Mundo em que vivemos.
Mas também é verdade que se o homem não se pode afastar de Deus nem ignorar Sua existência, não precisa necessariamente ater-se a determinadas práticas de uma religião para poder chegar até Ele. Isso é uma coisa subjetiva, vale dizer, está dentro de nós o seguir ou não alguma religião, o praticar ou não alguma religião.
Nós do Ocidente somos eminentemente cristãos e temos a companhia de Irmãos que não são necessariamente cristãos, mas seguem outras religiões. Temos, no Ocidente, inúmeras confissões religiosas, com ramificações, sendo no Brasil a principal a religião católica, que também está subdividida em várias correntes, sendo a maior delas a Católica Apostólica Romana, mas há várias outras, como a dos Alfaiates.
O que é importante para os Maçons é que uma das exigências básicas é que se seja livre, e quando se exige que o indivíduo seja livre não se está, ao contrário do que pensam alguns, querendo que ele não seja escravo. Ou, como entendem outros, que tal exigência vem do tempo em que havia escravidão. Ser livre é ter liberdade psíquica, de espírito. O homem Maçom não pode ser fanático, não pode deixar-se levar por fanatismos de qualquer espécie, não pode estar preso a compromissos ou a votos religiosos que o impeçam de exercer em toda a plenitude o seu livre arbítrio.
Não pode estar preso a qualquer religião que o proíba de agir como entenda que deve agir. Logo, já começamos com restrições a algumas religiões que, por sua conotação de fanatismo, são incompatíveis com a Instituição Maçônica.
Religiões há que exigem um privilégio ou fazem um monopólio da vontade do homem de uma forma tal que impedem de ser tal homem ao mesmo tempo Maçom e praticante daquela religião.
Não há incompatibilidade entre a cultura e a religião, mas há entre o fanatismo e a Maçonaria.
Quando o Maçom pratica uma religião, qualquer que seja, vinda de berço ou adotada posteriormente, tem de examinar se há restrições à Liberdade de Pensamento, se há escravização a dogmas inaceitáveis pela inteligência e repelidos pelo discernimento do homem médio; se tal ocorrer, há incompatibilidade entre a Maçonaria e tal religião.
Discute-se se há incompatibilidade entre a Maçonaria e a Igreja Católica, e mais notadamente entre a Maçonaria e a Igreja Católica Apostólica Romana. A Maçonaria foi combatida ao longo dos anos pela I.C.A.R., não sendo desconhecido que havia um artigo na lei canônica que, prejulgando o que os maçons fazem dentro de uma Loja, dizia que era proibido ao Católico ser Maçom, pois a Maçonaria se reuniria para conspirar contra o Governo e contra a Igreja e, como tal, não era acessível aos bons Católicos.
Em 1983 entrou em vigor novo Código Canônico e não mais há tal proibição, o que permite ao católico apostólico romano, sem qualquer sanção, pertencer à Maçonaria. Diga-se que aquela proibição nunca trouxe maior prejuízo à Maçonaria, nem no Brasil nem em qualquer outra parte do mundo, pois aqueles que, embora praticando de forma correta a sua religião, ingressavam ou ingressam na Maçonaria, vêem que na Instituição Maçônica não se cuida de religiões, podendo-se afirmar, embora desgostando alguns, que a Maçonaria paira acima das religiões, não é uma religião, mas está acima das religiões, já que em nenhuma outra entidade se encontram tão juntos cristãos e não-cristãos, e dentre os cristãos, pessoas de todas as denominações e subdivisões de religiões e ramificações de religiões.
O Ecumenismo é privilégio da Maçonaria. O Ecumenismo hoje pregado publicamente não é novidade para o Maçom, pois ele o aprende no dia em que ingressa numa Loja Maçônica, quando convive fraternalmente com todos, seja qual for a religião que pratiquem.
Se a Maçonaria nunca fez restrições às religiões, para que seus adeptos pudessem ingressar na Maçonaria, a recíproca não é verdadeira, e, além da proibição que existia no Direito Canônico, mencionado, algumas denominações; protestantes incompatibilizam por completo seus seguidores com a Instituição Maçônica. Evidentemente que pelo desconhecimento da atividade maçônica, pela falta da análise sincera e correta do trabalho maçônico.
O Padre José Ferrer Benimeli, jesuíta, em tese de doutorado na Universidade de Saragoza, na Espanha, mostrou não haver qualquer incompatibilidade entre a Igreja, Católica e a Maçonaria. Seu livro MAÇONARIA E IGREJA CATÓLICA - ONTEM, HOJE E AMANHÃ, que foi escrito com o auxilio de outro jesuíta, este brasileiro, Padre Valério Alberton, que anteriormente escrevera contra a Maçonaria e, depois, reexaminou sua posição, mostra, à saciedade, que os desencontros havidos são mais personalistas e regionais que de forma ou de conteúdo entre as duas idéias, a da Igreja Católica e a dos Maçons.
Há algumas publicações, do passado, combatendo a Maçonaria e procurando demonstrar uma incompatibilidade entre ela e as religiões, notadamente a religião católica ensinada por Roma, mas essas publicações são originadas de pessoas desinformadas, que, por exemplo, tomam um ritual maçônico isoladamente, lêem um juramento maçônico e o analisam literalmente, fora do contexto do estudo maçônico. Outras, mais perigosas, emanam de pessoas frustradas por não terem conseguido ingressar na Maçonaria ou por não terem tido a coragem de tentar o ingresso, e escreveram sobre o que não viram, não leram, e não sabem.
Uma das restrições tidas como "carro chefe" dos adversários da Maçonaria é o fato de as reuniões maçônicas serem secretas, argumentando os seus corifeus com a indagação: "Se nada fazem de errado, por que se reúnem secretamente"?
A isso se responde que não há uma entidade, uma única entidade, de qualquer origem ou finalidade, que tenha TODAS as suas reuniões abertas aos que não são seus membros. A começar pela própria Igreja Católica Apostólica Romana. Basta ver a reunião para a eleição do Papa.
Em qualquer Centro Espírita há as reuniões públicas e as reuniões reservadas apenas aos administradores.
O mesmo para as religiões protestantes.
De igual forma para os clubes desportivos, as associações beneficentes.
Está dito alhures que não se pode ser Ateu se se quer ingressar na Maçonaria. Temos como certo que a Maçonaria reconhece a prevalência do espírito sobre a matéria e que sua finalidade é o aprimoramento do Homem comum, para mudá-lo para o Homem Maçom, que não é um Super-Homem, mas é um cidadão acima da média, a quem é cobrado diariamente um comportamento humano correto, digno e caridoso. Nenhuma religião, por melhor que seja, exige mais dos seus adeptos.
Pode-se, pois, praticar qualquer religião que não nos fanatize e se ser Maçom, ao mesmo tempo, sem qualquer incoerência, sem qualquer impedimento |