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S E Frost Jr
Sócrates, embora discordasse dos sofistas em muitos pontos, participava da crença geral de que a educação torna o homem melhor cidadão e, com isso, mais feliz. Mas, ao passo que os sofistas se preocupavam mais com o homem como indivíduo, Sócrates o considerava como membro do grupo. Doutrinava que a coisa mais valiosa que o homem pode possuir é o saber, que se obtém eliminando as diferenças entre os indivíduos e descobrindo os elementos essenciais com os quais todos eles estejam de acordo.
Esse pensamento levou Sócrates a perambular pelas ruas de Atenas desafiando as declarações e crenças daqueles a quem se dirigia. Gostava de mostrar que muitas delas eram falsas por serem artificiais. Continuava depois o debate analisando profundamente o problema até descobrir a verdade essencial nele contida. Seu método tornou-se conhecido como dialético ou socrático. Consistia em tomar a declaração feita por outrem, analisá-la e revelar sua inconsistência. Depois que o outro reconhecia a fraqueza da própria opinião, Sócrates endereçava-lhe uma série de perguntas nas quais expunha o que julgava ser verdade.
Sócrates foi um grande mestre, dedicado à prática do ensino. Seu discípulo, Platão, desenvolveu uma das primeiras teorias sobre a educação. Na Republica, uma de suas grandes obras, encontramos o sistema educacional que, na sua opinião, asseguraria a existência de um Estado justo e feliz.
Como Platão acreditava serem os homens diferentes por natureza, devendo ser colocados em classes que correspondam às diferenças básicas, desenvolveu um plano educacional que atenderia a essa necessidade. Segundo esse plano, os homens seriam selecionados e preparados para trabalhar em uma das três classes por ele enunciadas. Durante os primeiros dezoito anos da vida, o jovem dedicar-se-ia à Ginástica, à Música e à Literatura, aprenderia a ler, escrever, representar e cantar e tomaria parte em muitos esportes. Aos 18, os rapazes que se mostrassem capazes continuariam a receber instrução, ao passo que os demais cessariam os estudos e tornar-se-iam negociantes, mercadores, etc.
Os rapazes que continuassem naquele sistema educacional receberiam dois anos de instrução como cadetes. Aos vinte, os julgados incapazes para continuar passariam para a classe militar e ficariam encarregados da defesa da pátria. Os restantes fariam um curso mais extenso de Filosofia, Matemática, Música, Ciências e outras matérias culturais e, eventualmente, tornar-se-iam líderes na sociedade.
Nesse sistema, Platão procurava empregar a educação para a escolha de homens para os vários deveres de um grupo social. Em cada caso porém, procurava selecioná-los em termos de sua capacidade, segundo era descoberta pelo próprio sistema educacional. É evidente que Platão considerava a educação uma questão de interesse estatal. Devia ser sustentada e controlada pelo Estado, sendo sua função selecionar e preparar homens para nele servirem. Platão acreditava que, se o Estado adotasse tal sistema educacional, teria uma sociedade ideal, na qual todos se dedicariam ao trabalho para o qual fossem aptos e estivessem preparados, e a sociedade, assim, seria feliz.
Aristóteles afirmava que o objetivo da educação é fazer as pessoas virtuosas. Devia, portanto, haver três períodos de treinamento, adaptados aos três períodos do desenvolvimento do homem. O primeiro, que vai do nascimento aos sete anos de idade, seria inteiramente dedicado aos exercícios do corpo, como preparativos para o ensino escolar formal. O segundo seria o do ensino formal, indo dos sete aos vinte e um anos. Consistiria no ensino da Literatura, Música, Ginástica, etc.
Na teoria de Aristóteles, como na de Platão, a educação era questão afeta ao Estado, cabendo a este controlá-la. Segundo Aristóteles, cumpre ao Estado determinar quais as crianças que, devido a um defeito físico, devem viver e quais as que devem ser destruídas logo após o nascimento. O Estado determina, também, com quem o homem deve casar-se, a fim de ser assegurada uma prole desejável. O Estado, afirmava ele, deve empregar a educação para criar cidadãos que possam defendê-lo e torná-lo melhor.
As teorias de Platão e Aristóteles, ressaltando o emprego da educação pelo Estado como meio de preparar bons cidadãos, não exerceram, em sua época, grande influência na vida de Atenas. Ao contrário, dominava a dos sofistas, na qual a educação se destinava a atender aos interesses individuais. O individualismo daquele tempo não seria logo eliminado por uns poucos filósofos. O povo ouvia-os, mas seguia seus próprios interesses e exigia um tipo de educação que os tornasse mais felizes e lhes proporcionasse maiores êxitos. Viviam empolgados por visões de vitórias pessoais e pela felicidade de certas criaturas; de modo algum sentiam disposição para ouvir os filósofos que davam a entender que o êxito e a felicidade dependiam do bem-estar do grupo.
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