Irm Anestor Porfírio da Silva
E-mail: anestorporfirio@gmail.com
No primeiro ano de aprendizado maçônico, Iniciado nenhum imagina que um dia poderá vir a assumir o cargo de Venerável de uma Loja. Compreensível que assim se sinta qualquer Aprendiz Maçom, pois o seu grau é o primeiro da Ordem, aquele em que o iniciado tem sua atenção voltada para o desbaste da Pedra Bruta.
É um período que deve ser cercado de muito interesse e dedicação, tanto por parte do Aprendiz quanto da Oficina a que o mesmo pertence, pois é nele que se inicia a formação do caráter maçônico e a grande caminhada rumo à perfeição.
Em se tratando de maçonaria, uma instituição que se destaca como verdadeira escola de aprimoramento moral, intelectual e espiritual do ser humano, a transmissão de conhecimentos é algo indispensável e extremamente relevante ao Aprendiz, sendo condição intimamente ligada à sua permanência na Ordem, por despertar nele o interesse em desbravar o desconhecido e esse envolvimento com a aprendizagem maçônica o manterá sempre afastado do risco da desmotivação.
Na arte de ensinar, os métodos são vários e na prática se distinguem. Uns, mais eficazes, outros, menos, o que parece pouco influir, mas não. A adoção deste ou daquele método talvez seja a razão para se justificar por que certos resultados alcançados não condizem com os dos objetivos almejados.
Apesar do risco, é lastimável que aqueles a quem cabe transmitir conhecimentos em razão dos cargos em que se encontram, ou das funções exercidas em Loja, não atentem para o detalhe acima, ou talvez por comodismo, acabem por adotar métodos muito simples – empíricos - para lidar com os Aprendizes, levando-se em conta que muitos ensinamentos, por serem de fácil assimilação, não precisam ser transmitidos através da palavra, sendo o bastante apenas o bom exemplo.
Convém lembrar que o Aprendiz foi aceito tão somente porque trazia em sua bagagem comprovadas qualidades de um candidato ideal a fazer parte dos planos da Ordem Maçônica. Ele sendo aprendiz, logicamente é maçom, mas ainda se encontra muito distante de alcançar a perfeição. Precisa, pois, de receber ensinamentos e de ser acompanhado até que se desgarre em definitivo das trevas da ignorância e isto só deve acontecer, pelo menos é o que se espera, quando da sua chegada ao grau de Mestre.
Não basta o Aprendiz ter interesse em desvendar os mistérios da maçonaria, preencher de vez em quando o Tempo de Estudos ou Quarto de Hora com algum assunto sobre a Ordem, observar e adotar a conduta dos mais graduados tanto em Loja quanto fora dela, segui-los atentamente em seus bons exemplos para, no final de sua vida, chegar convicto de ter sido um grande Mestre Maçom, mas pouco conhecedor das razões de ser da maçonaria, de toda a sua história e dos objetivos por ela almejados.
Não é tão sem importância como se pensa a participação do Mestre Maçom, e da Loja como um todo, na formação maçônica do Aprendiz. Há momentos em que conceitos filosóficos não podem ser desprezados e um deles afirma que “a luz do saber deve irradiar da mente de quem sabe para a mente de quem deseja aprender” e isto só se aplica através da palavra (oral ou escrita). Evidente que não há regra sem exceção, mas, no que diz respeito à maçonaria, o conceito acima é uma condição cuja aplicação se faz necessária a qualquer Mestre Maçom em relação aos recém-iniciados, pois, de outra forma, estes terão dificuldade em se aprimorar maçonicamente, podendo haver desistências antes mesmo do alcance da metade do caminho.
Então, fica claro que, se no importante período de desbaste da Pedra Bruta, o Mestre Maçom se mantiver alheio às dificuldades enfrentadas pelo Aprendiz, se não lhe for estendida a mão da sabedoria, se lhe faltar ajuda para que este se livre das trevas da ignorância, o índice das evasões tenderá a alcançar níveis mais preocupantes do que os atuais.
A orientação e o apoio que devem ser dispensados ao Aprendiz Maçom estão definidos em lei e no ritual do grau como sendo de responsabilidade dos principais dirigentes da Loja Maçônica. Isto, no entanto, não quer dizer que os demais mestres maçons estejam fora dessa responsabilidade. Ela cabe a todos eles, indistintamente.
Mas, a que responsabilidade nos remete essa questão? Em linhas gerais, pode-se dizer da indicação de fontes para pesquisa, seguras e confiáveis, do estímulo à leitura de boas obras maçônicas, da elaboração de trabalhos maçônicos pelo próprio Aprendiz e sua respectiva apresentação a ser levada a efeito como preenchimento do Tempo de Estudos ou Quarto de Hora (pelo menos uma vez por mês), com a Loja fazendo a sua parte, ou seja, não só exigindo do Aprendiz a elaboração de trabalhos de pesquisa, mas, indicando-lhe os temas adequados ao seu grau e colocando ao alcance e à disposição do mesmo a respectiva fonte de consulta.
Tendo em vista o inevitável processo de renovação a que se expõem constantemente os Quadros de Obreiros das Lojas e para que a existência da maçonaria não se torne ameaçada de extinção, os que chegam por último devem estar convenientemente preparados para assumirem os postos dos que chegaram primeiro, pois estes, por força da lei natural da vida, mais cedo ou mais tarde, terão que partir para o Oriente Eterno, interrompendo seus dias entre nós.
Por isso, o Aprendiz Maçom de hoje será, sem dúvida, um dos dirigentes da maçonaria no futuro. Para tanto, deve começar desde já a sua preparação buscando, em primeiro lugar, adquirir capacidade de liderança. Depois, enriquecer o quanto possível seus conhecimentos sobre os princípios e fundamentos da mencionada instituição, bem como de toda a sua legislação, sua estrutura organizacional e seu funcionamento, sem o que não haverá possibilidade alguma de sucesso no desempenho de qualquer cargo de direção da Ordem.
Desta feita, para se chegar ao Veneralato de uma Loja, não basta ser Mestre. Não basta ter cumprido o tempo necessário previsto em regulamentos. É preciso, antes de tudo, ser líder, ser democrata, estar preparado para o exercício de uma missão, que é árdua, difícil, delicada, mas que é gratificante e capaz de imortalizar quem a desempenha com dignidade. |