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Do Irm Ambrósio Peters (
* )
O rito de York é tido tradicionalmente
com um rito praticado desde os tempos do Rei Athelstan. Isto ainda
não pôde ser comprovado historicamente, embora o confirme
a multissecular tradição maçônica. O
Livro das Constituições, de 1723, nos dá um
forte sinal disto.
No Post Script daquele documento está descrito,
de maneira informal, um completo ritual de instalação
de uma nova loja. Notemos, num dos parágrafos finais, esta
pergunta do grão-mestre ao novo mestre da loja:
"Tu te submetes a estas obrigações como os mestres
o vêm fazendo através das eras? E, após receber
sua cordial submissão, o grão-mestre através
de significativos rituais de acordo com os costumes antigos o empossará..."
Logo a seguir, no mesmo parágrafo, o grão-mestre fala
em revestir os candidatos empossados com os instrumentos de ofício(1).
Não pode haver demonstração
mais clara de que as lojas, mesmo as já transformadas em
especulativas ou modernas, continuavam a praticar os rituais das
antigas guildas da Maçonaria Operativa. O cuidado em nada
revelar nem escrever está evidente no texto do Post Script.
Quando este ritual foi assim sumariamente referido as primeiras
lojas especulativas ainda não tinham 100 anos. Portanto quando
fala de "antigos costumes" está sem nenhuma dúvida
falando da Maçonaria Operativa.
Como saber se o rito sugerido no Post Script era
o Rito de York, se nada sobre rituais se escrevia nem se imprimia?
Sabemos que todos deviam decorá-los ( 2 ) e que essa era
a primeira das tarefas dos novos irmãos aprendizes. Mas há
circunstâncias que nos autorizam a afirmar, com grande margem
de segurança, que o ritual dos maçons operativos continuou
a ser o ritual das lojas especulativas. A primeira delas é
a insistente referência aos antigos costumes sempre que se
trata de procedimentos ritualísticos; em segundo lugar modificar
esses seculares antigos costumes e pretender substitui-los por procedimentos
ritualísticos diferentes sem nada poder escrever seria uma
tarefa extremamente difícil, quando não impossível.
Pelo mesmo motivo seria impraticável criar novos rituais.
Na união dos maçons "antigos"
e "modernos" em 1813 foi oficialmente aprovado o ritual
dos antigos como ritual oficial da Grande Loja Unida da Inglaterra
e naquele momento recebeu o nome de Rito de Emulação.
Além disso se manteve a tradição de nada escrever,
e em razão disso não se sabe ao certo o que foi aprovado.
Que outros Rituais haveria além desse,
por ocasião da fundação da Grande Loja de Londres,
em 1717? Podemos afirmar com segurança que nenhum outro,
pois todos os outros ritos hoje conhecidos nasceriam muito depois,
provavelmente na época em que as lojas se afastaram das tavernas
e cervejarias para terem seus próprios templos, o que aconteceu
na segunda metade do século XVIII. Somente em 1969 foi oficialmente
impresso pela primeira vez o Rito de Emulação com
autorização oficial da Grande Loja Unida da Inglaterra,
embora se saiba que nesse ano já havia diversas impressões
não oficiais.
Passemos à Lenda de York. De princípio
ousamos afirmar que, diante das tantas evidências históricas
que confirmam a veracidade do seu conteúdo, deveríamos
chamá-la de Tradição de York.
Basicamente nos diz a tradição que
houve no ano de 926, na cidade de York, sob o reinado de Athelstan,
um Grande Congresso de Maçons, convocado e presidido pelo
Príncipe Edwin, sob autorização oficial do
rei, e que nessa Assembléia teria sido dado à Maçonaria
o seu primeiro Regulamento Geral.
O Manuscrito Régio, de 1389, fala apenas
de Athelstan, de uma Grande Assembléia de Maçons e
de um Regulamento Geral, e numa suposta referência ao território
da Nortúmbria, cuja capital era York.
O Manuscrito de Coke, do início do século
XV, o mais antigo a falar da lenda depois do Manuscrito Régio,
cita pela primeira vez um filho mais moço de Athelstan a
intervir na história da Grande Assembléia, mas sem
lhe declinar o nome.
O manuscrito G.L.-I, provavelmente de 1583, introduz
pela primeira vez o nome do Príncipe Edwin como filho do
Rei Athelstan, dizendo que ele amava a Maçonaria mais do
que seu pai. Acrescenta ainda que Edwin foi aceito maçom
em Windsor ( 3 ) e que recebeu do pai a incumbência de convocar
uma assembléia todos os anos. ( 4 ) Fala em seguida que o
príncipe realizou uma Grande Assembléia em York.
Parece que aqui a Lenda de York passou definitivamente
da tradição oral para a tradição escrita
da Maçonaria Especulativa.
Isto condiz perfeitamente com as antigas crônicas
que dizem que o Rei Athelstan estava continuamente envolvido em
reuniões com os nobres de sua corte e daqueles dos reinos
submetidos, como também em grandes assembléias que
reuniam seus administradores e súditos ( 5 ). Convocar e
dirigir as assembléias dos numerosos maçons operativos,
associados em guildas nas quais havia problemas seria, sem dúvida,
uma tarefa difícil para um rei permanentemente ocupado com
a organização do seu reino e com suas guerras. Nomear
um representante para essas assembléias seria uma providência
indispensável.
Há um outro manuscrito conhecido em alguns
meios como a Constituição de York, e a respeito dele
nos diz Anatoli Oliynik(6) que em 1807 o documento foi traduzido
do latim para o inglês, e em 1808 do latim para o alemão
pelo Irmão J.A. Schneider, de Altenburg. Esta última
tradução foi publicada pelo editor Ir. Krause. Este
primeiro editor por vezes dá seu nome ao documento, que por
isso é também conhecido como o Manuscrito de Krause.
É importante observar que a publicação desse
manuscrito está muito próxima à Constituição
da Grande Loja Unida da Inglaterra em 1813.
Devemos concluir, a partir disso, que esse último
manuscrito foi redigido em latim. Isto situaria o original num momento
histórico anterior a 1352, ano da oficialização
do inglês medieval como idioma oficial da Inglaterra.
Parece-nos que, em se tratando de um documento
para conhecimento geral das guildas dos maçons, ele deveria
estar presumivelmente em inglês medieval se o original fosse
posterior a 1352, mas não necessariamente, porque o latim
continuava a ser o idioma das pessoas cultas. Restar-nos-ia que,
estando em latim, ele poderia ser tanto da época dos anglo-saxões,
como da época dos normandos, ou contemporâneo do Manuscrito
Régio, isto é, do século XIV.
Pensamos assim ter ficado evidente que o Rei Athelstan
e o Príncipe Edwin são figuras historicamente conhecidas,
que York foi anexada por Athelstan em 927, que o Príncipe
Edwin foi condenado ao afogamento em 933, que havia muitas guildas
de maçons no reino de Athelstan. Resta então, como
assunto importante a tratar, a Grande Assembléia.
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