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Do Irm Ambrósio Peters (
* )
São
conhecidos com pormenores, os usos e os costumes dos Essênios
através dos manuscritos do Mar Morto. Os seus últimos
representantes, historicamente conhecidos, fizeram parte do último
reduto de resistência judaica aos romanos, no alto da colina
fortificada de Masada, e quando os soldados romanos a tomaram no
ano 74, encontraram mortos todos os seus ocupantes. Depois disto
não foram mais citados pelos historiadores.
Estabelecidos
na região de En Gedi, a oeste do Mar Morto, formavam uma
seita ou facção fundamentalista judaica, em plena
atividade na época do nascimento de Jesus, o Cristo. Os numerosos
manuscritos encontrados em 1947 nas cavernas calcárias existentes
junto a Qirbet Qumram, permitiram restabelecer com muitos detalhes,
seu sistema de vida monástica, os regulamentos de sua comunidade
e sua postura religiosa frente ao Judaismo. Os mesmos manuscritos
também permitiram identificar em Qumram, as ruínas
do centro monástico e administrativo, de onde irradiavam
as suas atividades.
Viviam
em comunidade (o que não é o mesmo que fraternidade);
aceitavam a imortalidade da alma mas não a sua ressurreição;
acreditavam em recompensas futuras pelo bem praticado em vida; levavam
vida ascética; condenavam qualquer gozo como pecaminoso e
envidavam todos os esforços, sem medida de gastos, para minorar
a sorte dos semelhantes, sendo ou não essênios, enquanto
para eles mesmos não permitiam liberalidade alguma.
Embora
isso seja veementemente condenado pelas religiões cristãs
por contrariar a idéia da religião revelada, podem
os essênios ser considerados uma seita pré-cristã,
dada a extraordinária semelhança de seu modo de vida
e de seus ensinos com os princípios religiosos constantes
do Novo Testamento, principalmente o modo de vida recomendado por
Cristo aos que o quisessem seguir.
Sem
querer entrar no mérito da discussão, da semelhança
doutrinária, sabe-se que os essênios recebiam seus
novos membros ainda na primeira infância, diretamente dos
pais que as entregavam para que fossem educadas e instruídas
nas leis das Sagradas Escrituras. Com relação a isso,
considere-se que Jesus saiu de casa ainda criança e reapareceu
aos doze anos discutindo no templo com os doutores da Lei, o que
somente poderia ter acontecido se já estivesse em adiantado
estágio de conhecimento dos preceitos bíblicos. E
onde o poderia ter adquirido senão com os essênios,
que ensinavam as crianças desde os primeiros anos? Os essênios
se consideravam aptos a começar a sua vida pública
aos trinta anos, e Jesus começou sua vida pública
nessa idade. Como os essênios Jesus desprezava os fariseus.
Depois
de eliminados os últimos representantes do grupo, no alto
da colina de Massada, os essênios desapareceram completamente
do cenário da história. Este último episódio
está nas narrativas do historiador Josefo Flávio.
Não há notícias de que tenham, de alguma forma,
revivido após a dispersão dos judeus que se seguiu
à destruição de Jerusalém no ano 70.
O que se recuperou apos esse desastre nacional judaico foi o judaísmo
rabinice, tradicional opositor dos essênios que sempre os
condenaram acremente.
Não
há como ligar historicamente os essênios às
guildas dos maçons medievais, nem com os Templários,
que são posteriores àquelas guildas. E absurda a idéia
de que pudessem ter permanecido incógnitos em Jerusalém
até o século XII e então colaborado na fundação
da Ordem dos Templários, pois Jerusalém esteve sob
o severo domínio islâmico, desde o início do
século VII até o século XII, quando foi tomada
pelos cruzados. |