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Antonio Carlos de Souza Godoi*
1ª Parte - DIANTE DAS MUDANÇAS SOCIAIS
O mundo moderno, em que pese o imenso progresso
tecnológico que experimenta e os novos horizontes que se
abrem diariamente diante dos olhos da Humanidade, enfrenta uma crise
sem paralelo. E o pior é que essa crise, ou ao menos sua
real dimensão, está passando desapercebida da maioria
das pessoas e, particularmente, de muitos Maçons talvez cegos
e surdos que estamos ficando pelo próprio turbilhão
da vida atual.
O que está acontecendo, afinal? Por que
as pessoas que, supostamente, deveriam dirigir os destinos do mundo
o levam cada vez mais próximo do abismo? Por que a juventude
de hoje, em número preocupante, procura em substitutivos
passageiros (mas, mortais algumas vezes!) as respostas às
suas dúvidas e inquietações? Por que a instituição
do casamento é encarada e tratada como sendo apenas um contrato
social que pode ser desfeito a qualquer momento perante a lei dos
Homens? O que está acontecendo, afinal e onde está
a voz dos Maçons que não se ergue diariamente em vigoroso
e solene protesto? Não basta o brado corajoso de alguns Irmãos,
cuja pena é um verdadeiro chicote de fogo contra o inimigo
sorrateiro homiziado nas sombras.É preciso que todos nós,
unidos e em defesa do futuro do mundo e das gerações
por vir nos façamos ouvir nos quatro cantos da Terra com
um único grito: Basta!
São tantas as perguntas que afligem o Homem,
tantas as suas dúvidas e tão poucas as respostas!
Para a maioria de nós, hoje, pais e mães a formulação
dessas perguntas é um beco sem saída, pois não
parece haver um sentido, um significado nisso tudo e até
a sapiência infinita do Grande Arquiteto do Universo é
posta em discussão perante a avalanche de contradições
em que o mundo se transformou.
Vivemos na era das angústias, da descrença,
da busca das sensações cada vez mais estranhas, como
se o homem quisesse ou necessitasse provar a si mesmo que está
vivo, que não está separado do mundo, que há
um propósito sabe-se lá qual, meu Deus!
em tudo o que está acontecendo com a sociedade e, dentro
dela, com a instituição da família.
A seara daninha das drogas se torna cada dia maior
e mais mortal; a pornografia, disfarçada de liberdade de
expressão, grassa solta na televisão que invade, cerceia,
violenta, aliena e anula nossa capacidade de crítica; o relaxamento
dos costumes é flagrante; e as seitas religiosas proliferam,
multiplicando-se a cada dia, numa prova incontestável da
sede em que se encontram os espíritos impossibilitados de
saciá-la.
Deparamos com crianças de 12 anos
que já não fazem mais parte do maravilhoso e mágico
mundo da infância e adultos de 50 anos ou mais que voltam
a ser crianças; ricos que simulam pobreza e pobres que enganam
a si mesmos na ilusão da riqueza passageira; anarquistas
públicos que, sob suas roupas sujas não passam de
miseráveis conformistas e conformistas públicos que,
debaixo de suas roupas caras não passam de miseráveis
anarquistas; programadores de computadores que se embrutecem nas
drogas para fugir à exatidão absurda de suas máquinas.
A Igreja mesmo balança em dúvidas, agredida em suas
colunas mestras por alas conservadoras e progressistas e se vê
como um barco com dois comandos antagônicos. Vemos ira demais,
esquecimento demais! Tornamo-nos, a cada dia que passa, uma raça
sem memória. E o que estamos fazendo, nós Maçons?
Falando, falando, falando...
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