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O VIGOR DA MAÇONARIA BRASILEIRA

 

 

 

 
Anestor Porfírio da Silva
Goiânia Fevereito de 2010

 

Crônica de ANESTOR PORFÍRIO DA SILVA
Bacharel em Direito e Ciências Contábeis
Mestre Instalado e Conselheiro do GOEG
Membro da ARLS Adelino Ferreira Machado,
OR.’. de HIDROLÂNDIA – GOIÁS

 

 

 

Perplexos, os maçons de boa índole, os dedicados às causas da sublime ordem, os que, de fato, por ela se desdobram, aqueles iniciados que a ela pertencem de corpo e alma, habitantes de outras plagas bem distante dos rincões onde se dizem estar morrendo a maçonaria, assistem àquilo que consideram um verdadeiro jogo de cenas, pois que este, de fato, nada tem a ver com a realidade maçônica do lugar em que vivem e onde, sobre tal ótica, nada se percebe e nada se comenta. Saga de paixões, dizem os que se encontram longe de tais turbulências (se é que existem), bem descrita por quem gosta da maçonaria, mas que é considerada como enfoque partido do ângulo da incerteza, voltado à sublime ordem não para enaltecer suas grandes virtudes, seus feitos históricos, mas que, ao certo, e de modo não intencional, poderá acabar assumindo a condição de sutil veneno e, sem dúvida, apagar o clarão resplandecente de sabedoria e de virtudes que dela emana, embora, certamente, não seja este o efeito desejado por aqueles que a descrevem como uma instituição em declínio. Ela é um patrimônio valioso do ponto de vista histórico, que pertence não só aos maçons, mas a todos, indistintamente. Por isso, merece ser vista e respeitada, em qualquer circunstância, como benfeitora da humanidade o que, por si só, eleva-a ao nível dos mais altos valores morais, culturais e filosóficos dispostos ao alcance da inteligência de qualquer ser humano.

Nas regiões brasileiras onde a maçonaria se apresenta vigorosa e atuante, descrevê-la como se ela estivesse num quadro sombrio de agonia, não é afirmativa convincente. Admitir sua morte..., mais impossível ainda.   Isto porque seus princípios e fundamentos se inspiram no caráter e na conduta daquele que é considerado como homem de bem, cuja formação vem de berço de lar solidamente construído.

Esse biótipo nunca deixará de ser visto como exemplo a ser seguido. Ele – o homem de bem - que sempre foi encontrado até mesmo no meio dos povos mais pervertidos (quem nos afirma isto é a própria história da humanidade), jamais deixará de existir como parte integrante de qualquer sociedade, ainda que esta um dia, por sua própria vontade, se poste de cabeça para baixo, inteiramente alienada em relação aos valores morais e éticos. Agora, reclamar de certas atitudes e do inadequado comportamento de boa parte dos maçons espalhados por todo o território nacional é mais do que procedente, senão, vejamos:

Há inúmeros iniciados que ostentam essa honrosa condição sem fazerem por merecê-la. São os descrentes, os desmotivados, os excessivamente vaidosos, os que não se doam nem mesmo diante de causas justas, os que se opõem a tudo, os polêmicos e irreconciliáveis com as idéias dos outros, os omissos, os que quando pendem para o lado do álcool, esquecem-se da moderação etc. No entanto, não se pode atribuir a eles – e tão somente a eles - toda a culpa pelo que maçonicamente são. Certamente, as suas Lojas falharam naquilo que era de suas responsabilidades desde quando os receberam como aprendizes. Isto é um erro doméstico grave, que ainda persiste e que precisa ser eliminado. De outro lado há ainda os assombros dos pensamentos negativos que surgem aqui e ali e que não se constituem em utilidade para a Ordem Maçônica. Em qualquer momento, recomenda a sabedoria: “Precisamos saber fazer uso correto da força do pensamento positivo, abandonando, em primeiro lugar, a aceitação dos maus presságios, dos agouros e das afirmações pessimistas.” Não será por conta da força do pessimismo que haveremos de ver a maçonaria sucumbir-se, mesmo porque dentro dela há também grandes sustentáculos, inúmeros valores morais, os verdadeiros homens de bem – e estes, felizmente, não são poucos - que jamais a deixarão morrer, que estão lá para fazerem também a vez de quem rema o barco e o fazem sem medir esforços para salvar toda a tripulação. Assim agem porque os que não remam, não o fazem porque, na verdade, não querem mesmo remar. São omissos por natureza, não se esforçam para movimentar a condução em que navegam e estão dentro dela apenas para fazerem peso.  Justamente estes que gostam de aparecer. Gritam com o timoneiro. Incitam os remadores, mas eles mesmos não ajudam a carregar fardo algum. Acham-se senhores de si, julgam-se conhecedores e bem informados a respeito da atual situação da maçonaria brasileira. Em Loja, gostam de fazer uso da palavra, são criativos, defendem a aprovação de projetos muitas vezes onerosos, mas na hora da sua execução são os primeiros a fugirem da raia.

Lamentavelmente, não são participativos, nem reconhecem que sem a existência de causas as bandeiras de luta não se justificam. Afinal, o que precisa ser feito tem que ser feito não pela maçonaria, mas pelos próprios maçons. E se nada tem sido feito, quem merece críticas são os próprios maçons, e não a maçonaria.